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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Enredo 1207: SINGULAR GEISTER MASCHINEN

 SINGULAR
 GEISTER MASCHINEN


  





C7 h16 no2

A mente é bem mais ampla do que o céu
Se lado a lado os tens
Com folga este naquela caberá
Cabendo-te também
A mente é mais profunda do que o mar
De azul a azul – verás
Tal como a esponja – o balde – irá conter
A mente o absorverá
A mente é tão pesada quando Deus
Se na balança os pões
Serão iguais – ou quase – tal e qual
A sílaba e o som
(Emily Dickinson)

z²+ c


Preliminar


Atenção: Este enredo faz parte do Universo Expandido da obra Réquiem para Kolônia e o Despertar do Carnaval.
Atenção II: Trata-se de uma experiência narrativa audiovisual que “não segura nas suas mãos”. Alguns ‘easter eggs’ podem passar desapercebidos pela audiência.
Advertência: Não é recomendado para quem sofre de depressão, ansiedade, síndrome e ataque do pânico e epilepsia. Caso você tenha algum destes sintomas, NÃO leia essa obra. Veja Peppa Pig. Para todos os outros, boa Morte.

Vídeo[1]:

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“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”
Liev Tolstói

Quando Liev Tolstói escreveu seu romance Anna Kariênina entre 1873 e 1877, a Rússia havia sido impactada com as revoluções tecnológicas, oriundas da Europa Ocidental, sobretudo Inglaterra. Se observarmos atentamente os eventos históricos, não será difícil concluir que o agente tecnológico é, de fato, a mola propulsora de mudanças de paradigmas de uma sociedade. A simples existência de uma nova tecnologia já é razão suficiente para se alterar o modo de articulação da Rede. O conteúdo pouco importa. Reparem nos temas, abordados em Anna: “administração agrícola, regime da propriedade da terra, relação com os trabalhadores, decadência da nobreza, educação das crianças, casamento, religião, serviço militar compulsório, as teorias de Spencer, Lasalle, Darwin, Schopenhauer, a condição feminina”. Estamos no século XXI, mais precisamente no ano de 2017 e percebam que estes temas continuam sendo motivo de ejaculações teóricas de profissionais de distintas áreas. Não por acaso, afinal a tecnologia segue se aperfeiçoando e, o mais curioso, sem a necessidade de interferência humana.

Ora, não é tão difícil entender este, digamos, Carnaval. Diariamente, as pessoas fazem upload de suas idiossincrasias para a Grande Rede. Já existe uma geração que vive (todo o espectro de suas ações no mundo offline), apenas, para alimentá-la. O mundo dito Real não passa de um McGuffin para esta turma e ele, mundo Real, não consegue mais dar conta dos anseios desta nova Mente, cada vez mais rápida e dissolvente. E quando digo “não consegue mais dar conta” estou sendo bastante claro no seguinte ponto: nossa carcaça biológica está completamente defasada. Não serve mais. A Rede, a partir da dança de guerra dos algoritmos que culmina na sustentação das oposições ao mesmo tempo (Tao high-tech) – e isto está gerando um confronto mundial danado, patotas divididas –, exige a criação de um novo hardware que tenha capacidade de suportar reviramentos constantes ou, até mesmo, sua eliminação. Ou seja, o corpo como conhecemos não é mais uma necessidade, ao contrário, é um estorvo. Estamos presenciando a criação do Espírito (Fantasma) – e não há nenhuma beatice aí –, dentro do Haver até porque não há nada Fora do Haver. Sorry, religiões. É a partir desta conceituação que este enredo está sedimentado.

Nosso protagonista, Klaus, de 30 anos, está dividido, aparentemente, entre a esquizofrenia do século XX e o espectro autista do XXI. Neste cabo de guerra de forças antagônicas, experimenta um sintoma até comum em casos assim: mente colapsada. E a tal da vida, há que se dizer, não foi fácil para ele. Quando tinha 15 anos, experimentou um episódio de violência sem precedentes. Sua irmã, V., com ajuda de dois cúmplices – Pica-Pau e Pernalonga – assassinou seus pais da forma mais fria possível. Como seguir adiante quando toda aquela balela de amor familiar havia desmoronado bem diante dos seus olhos? E por que será que estas pessoas insistem neste papel familiar, sendo que ele é totalmente mentiroso? Do que, de fato, elas têm medo? O que não querem enxergar? Bem que Klaus, na época, poderia ter dito: “menos dois, graças. Agora, posso seguir adiante, sem amarras”.  Camus de Aquário. Todavia, parece que não foi isso que aconteceu...

Quinze anos após o fatídico evento, acompanhamos seu despertar, justamente, na Região da Cracolândia, São Paulo. Klaus é acossado por “vozes”, denominadas de Futuros, que insistem que ele teve participação no assassinato dos seus pais, sugerem, inclusive, que sua irmã havia sido, apenas, uma marionete. Ele não quer saber, não quer ouvir, seu único objetivo é manter limpa sua pistola do vapor.Mas os Futuros são implacáveis e exigem que ele produza uma série de visões com a finalidade de reorganizar os estilhaços de sua mente. Isso não é à toa, ok? Neste nada fácil trabalho, ele não só faz uma “radiografia” de nossa sociedade como aprende, pouco a pouco, a renunciar a sua própria personalidade. Tudo em prol de um evento Singular. Qual sua capacidade de produzir Singularidade? O slogan da terceira temporada de Mr Robot serve para cá: “o velho mundo está morto, está na hora de criar um novo”. Ah, não posso esquecer, colaboração e patrocínio: Arlequina.

Não goze, ainda, rapaz. Estamos, apenas, nas preliminares. Detalhe importante: ao entender o modo de funcionamento da mente de Klaus, afirmo que os cenários deste enredo são gerados de maneira procedural, ou seja, gerados de forma aleatória dentro de determinados parâmetros. Isto significa que há um fio condutor, ligando os Setores.


Give it 2me!

FichTÉCNICA

Escola: G.R.E.S.E Império do Espírito
Cores: Azul e verde
Enredo: Singular – Geister Maschinen
Autor: Akagi Azzuma
Número de Setores e Alegorias: 6
Número de Alas: 24
Comissão de Frente: “Crack do Sistema”
Baianas: “Coleguinhas espaciais high-profile”
Bateria: “O pai indecente, pedófilo, sem dente, viciado em aguardente”
Passistas: “Gang Bang: as “primas”, o cafetão; uma dose de conhaque de alcatrão”
1º Casal de MS e PB: “Quando Arlequina ‘roda’, o mundo se transforma”
Velha-Guarda: “Antigos”










Argumento



Da Origem das Máquinas Fantasmas... Automatismo e Endoscopia
Vídeo[2]:

Você sempre soube das intenções de sua irmã, não é mesmo Klaus?
- Eu, eu...
- Você sempre soube e nada fez. Irmã marionete? Tragédia e benção? 
- Não quero saber. Porra!!

Chaos head
Panic station
Tao flutuante

São Paulo, Centro, Região da Cracolândia

Eis o crack do Sistema, da espécie humana, de uma mente singular. Colapso. Acorda, Klaus e compra uma Pistola do Vapor. Pois, perdera seu paraquedas e seu parafuso; este último você terá que encontrar e apertar de volta. Terá fé para tanto? Para nós, denominados de Futuros, as reações químicas dos cérebros dos Antigos não nos causam nenhum tipo de comoção. Não somos empáticos; somos, apenas, transadores. A paranoia não é mais relevante, mas, temos noção, ainda é produtora de miasmas... O resto como elemento criativo. A ejaculada do delírio. Então, o que tu vês, rapaz?

 - A minha pistola, impecavelmente, limpa. E só. Vejo a profusão de chewbaccas, olhos brancos vidrados, o preto predomina. Lolitas? A boceta para o pó. Lolitos? O cu para o vapor. Hard Candy. O programa não passa de R$10. Branquinhos têm mais valor. Um olhar steampunk. Não me surpreende, trata-se do velho troca-troca de fluídos corporais, entra-e-sai. Prazer? Só com atrito. Troca-troca tecnológico? Também tem. Componentes do PS4 Pro + XBOX One Slim por duas buchas de Cinco e quando o X, que era Scorpio, chegar, não há como não $iderar. Luzes no Céu. Um Portal. Surge, de lá, um ser mimético. De sua coluna cyber vertebral, partem fios metálicos que terminam em três motos futuristas nas cores azul, verde e vermelho. A representação dos Reinos, dizem “as vozes”. Tempo de Limpeza Social. Balas de borracha, jatos d’água, redes de Cyrax; gritaria, correria, confronto – a insatisfação dos dealers de baixa extração. Estes nada mais são do que fantoches do maquinário de lucro original...  Composição para a cena? Jovens Dinâmicos, “revolucionários amiguinhos do Parque de Areia Antialérgica”, filmando tudo, tudinho, para, em seguida, postar sua indignação no Insta ou em qualquer outra rede social. É aquilo: “o negócio é fazer post para parecer moralmente superior e conseguir aplausos de outros jovens dinâmicos”, mas, na verdade, trata-se de mais uma estratégia de promoção pessoal. Fábrica de Curtidas. Fica na China? Bem, não importa. Do “outro lado”, a riqueza e o poder, regados via energéticos, MDMA, vodka, “ácido”, indiferença. Ninguém os incomoda. Quem vai mexer com os verdadeiros donos desta badaroska? Legal e Ilegal. É o segredo dos Autômatos: gozam com os dois lados. Peru para sua Ceia de Natal? Saibas que o ilegal tu, também, financias. Não tem para onde correr...
- Ué, por que parou? Continue o relato, rapaz.

Sem pressa, Futuros!
Pausa para um momento musical

Vídeo[3]

- No meio da confusão e pancadaria, surge uma porta-bandeira. Um átimo de arte ou loucura? Cores cítricas, maquiagem pesada, um bastão como acessório. Seu corpete e saia são adornados por centenas de notas de dólares. Tio Sam ainda manda nesta porra? Me toma como seu mestre-sala. Diz ela: “Klaus, um assassino em modo stealth. Protótipo de Ivan Karamazov? ”.  Oi? Mais uma voz implacável, mais uma acusação, o que se passa, afinal, com minha cabeça? O que vocês querem de mim? “Neste momento, teu piru. É tempo de você ler os sinais. A Fraternidade é coisa pouca para você”, diz a enigmática figura. E o que o palhaço aqui faz? Mete-lhe o piru. Que se fodam as feministas! Assim, tempo de Conexão e RevelaçãoNova Terra, Três Reinos, Três Imperadores, Kolônia, Arlequina, Guerra entre Mundos. Que porra é essa? Mais um delírio? Só recebi uma ordem da porta-bandeira: fuja! Os chewbaccas ganham uma nova função. Agora, tunados, como que programados, passam a me perseguir. Ganho novas habilidades: parkour, grind e tirolesa. E uma arma (que caiu do “Céu”): “pistola ejaculadora flamejante”. Uma pegada meio Sunset Overdrive. Trago elementos do jogo para a “realidade”. Fusão!

Vídeo[4]:

- Mais visões, mais visões...
- Caralho, vocês se autodenominam de Futuros, mas não têm paciência. E eu, aqui, na merda... Bem, vejo o derretimento da Sagrada Família de Gaudi. A minha “já foi para o espaço”. Que lástima perder tamanha obra de arte, mas, ao mesmo tempo, que alívio! Em minha fuga, vejo todos os deuses perdidos, desorientados, sem saber como responder as demandas de nosso tempo. Logo a minha frente, o aroma de uma fragrância verde, surgem novos obstáculos: moinhos de vento e painéis solares. É aquilo: uma nova culpa para uma nova Agenda Industrial. Angela Merkel em profusão. Composição para a Cena? Uma chuva de pássaros mortos... Ora, ora! A guerra, amigos, é total. Você tem lado? Na minha cabeça, só consigo dar razão a seguinte frase: “se a maconha for da boa que se foda a ideologia! ”.
- Problemas?
- O ácido lático acaba com minhas pretensões. Meu corpo não responde mais minhas intenções. A fuga já não é mais possível. Escuto os risos de minha irmã, a assassina. Vejo-a como protótipo de Kilmaza, que ri da minha cara, enquanto toca castanholas. São muitas. As vadias se replicam com facilidade, não? É a doença feminista. Bem, os “chewies” tunados estão se aproximando. É o fim!
- Quanto drama! Olha a sua salvação logo à frente...
- Ah, sim, surge um cavalo steampunk. Adoro estas engrenagens. No comando, The Skull Man que me resgata, adia o meu Fim. Percebo que também sou uma destas putas vadias que esperam por um cavaleiro, esperam que este as salve de sua mediocridade habitual e impotência. O cavalo voa (Ui!) e me leva para o alto, para além do empuxo da Terra. Nos confins do espaço, me arremessa num lugar denominado Central de Backups Cyber Cerebrais. Descubro que há uma Sociedade Secreta, denominada The Skulls & Bones que domina esta tecnologia e os dados cerebrais de seus 108 membros estão protegidos nos servidores do planeta 3TC. Eis a Endoscopia do Sistema de uma Fraternidade!


Fantoches do Delírio: canibalismo na Cidade dos Pilares
Vídeo[5]:

- A conversa com a patota da fraternidade foi proveitosa, Klaus? Você barrou nosso acesso. Que deselegante.
- Não se sintam excluídos, caros Futuros. A Singularidade Tecnológica sempre foi um tema de meu interesse e é evidente que fiquei bastante impressionado com a possibilidade de fazer backup do meu sistema nervoso central. Esta obrigação de ficarmos presos a este corpo biológico de quinta categoria sempre me irritou e angustiou. Posto isto, a conversa foi simples. O que deveria fazer para ingressar na Fraternidade e, assim, ter acesso a esta tecnologia?
- Ritual de Iniciação?
- Mais importante do que fazer uma endoscopia do Sistema Macro, preciso fazer uma do meu próprio; reunir os estilhaços de minha mente. O Ritual de Iniciação tem a ver com isso: morrer para o mundo, ressuscitar para a fraternidade.  Serei um agente do caos, da instabilidade. De minhas entranhas, nascerá uma nova máquina revirante.
- Visões. Queremos visões.
- Estou no deserto de Rub’ al Khali em busca da cidade perdida Iram dos Pilares, conhecida, também, como Atlântida das Areias. A revelação primordial. Não busco riquezas materiais, mas, sim, o entendimento de como funciona a engrenagem. Vejo uma caravana de camelos robóticos passar, conduzida por beduínos que agem sem qualquer traço ideológico. Mercadoria? Odaliscas, escravas sexuais de propriedade de mafiosos russos. Ponto de revenda? Madureira, ops, Israel. Ora, não me surpreende. As putas não se incomodam por exercer este tipo de papel. Mais à frente, um vilarejo fantasma em ruínas. Não está totalmente ermo. Clones de Sorento de Sirene tocam flautas. Logo percebo que a encantadora melodia é para impedir minha progressão. Mas como não tenho mais nada, nada que me aprisione, já que estou morrendo para o mundo; só posso seguir adiante. Mais obstáculos: uma tempestade de areia. Mesmo com visão prejudicada, percebo esqueletos em profusão, certamente estou mais perto da Cidade Perdida. Estrondos, tiros e lanças...  Contemplo uma guerra entre aventureiros e figuras disformes, as quais não consigo identificar. Minhas “vozes” afirmam que tais figuras são demônios do deserto – denominados de Ajin, defensores de Iram –, criados por Rei Salomão que não queria que descobrissem o segredo da Cidade. E estes zumbis que brotam das areias escaldantes? Mais uma obra de Salomão? Mecanismo de defesa. Bem, estão me encurralando e o ácido lático segue fazendo efeito. Desta vez, não escapo.


- De novo isso? Repare bem.
- Epa, Arlequina na área, carnavalizando estas figuras e mostrando a entrada para Iram. Tudo real? Uma arquitetura, forjada com os minerais mais nobres: Pilares de Ouro e Prata, jardins deslumbrantes, fontes termais para tudo quanto é lado. Como a simetria nos comove, não é mesmo? E como é capaz de mexer como nossa química a ponto de acharmos, por um instante, que o Nirvana, de fato, existe. Ilusão, dizem “as vozes”. Revirão. Um vento frio “atravessa” meu corpo e minha percepção muda radicalmente. Contemplo um eclipse solar e emergência de múmias que me levam até o Centro da Cidade. Me deixam em uma posição tal que vislumbro uma enorme estátua do Faraó AKhenaton, sustentada por cabos de aço, vindos de um Portão Estelar. Seu corpo, devidamente devorado por três cavaleiros negros (que me lembram os do game Dark Souls 3). Os restos do banquete contaminam o lençol freático do local e quem bebe dessa água – viajantes desavisados que se aproximam de Iram –, transforma-se em zumbi. Provavelmente, mais uma estratégia de defesa desta Cidade. Importante dizer que cada capa dos cavaleiros continha os seguintes símbolos: a estrela de Davi (judaísmo), uma cruz (cristianismo) e uma lua (crescente) em par com uma estrela (islamismo). Eis a Fonte de Poder dos Imperadores da Nova Terra. Canibalismo. Pra variar, é tudo uma questão de FODA. Já “comeu” alguém hoje?

A Irmã que tinha pênis. Revira. Deus de Boceta
Vídeo[6]:

- O subterrâneo de Iram dos Pilares. Uma rede complexa de túneis me leva até as Masmorras de Filomena. Pegada underground, baby. Se segura. Seres disformes, devorados pela varíola, dão as boas-vindas para este novo cenário, estou entrando na jurisdição de um novo Reino: Araxá. O que foi? Está preocupado com coerência? Tadinho... Os caminhos de minha mente são múltiplos e poucos têm acesso a ele. Bem, não importa. Futuros, queria falar sobre minha irmã assassina. Ela devastou minha família e vocês insistem que tenho algo com isso. Não só vocês. Arlequina também fez esta insinuação. Não quero saber de realidade, quero dar “porra” para o imaginário, ou seja, aquilo que poderia ter sido. Uma explicação, uma justificativa que fosse mais aceita pela sociedade. Assim, entro no campo do vitimismo, coitadismo. Socialmente, desempenhar este papel é uma máquina de lucro.
- Gostamos de lucro. Visões. Queremos visões.

Calma, mais um momento musical

Vídeo[7]:

- Convoco a puta de Eça de Queiroz, a bela e sedutora Maria Monforte. Casada com Pedro, havia sentido um tesão indescritível por um de seus amigos, o italiano Tancredo. No primeiro momento, lutou contra seus impulsos eróticos e, assim, desenvolveu sintomas como ansiedade, inquietação, calores, taquicardia e o principal: aliou-se à Igreja e passou a se preocupar com os pobres de Lisboa; a pobreza e o sofrimento alheio passaram a incomodá-la – mente inquieta. Tais sintomas só se dissolveram quando, finalmente, deu a boceta para Tancredo. Gozou?
- O altruísmo como cortina de fumaça. “Lavagem” mental.
- Insisto, Futuros, na apologia do coitadismo. Afinal, esta porra vende. Consigo um espaço no Fantástico. Vamos apostar? As Masmorras seguem produzindo imagens que revelam o que se passou com minha irmã. Sintam o drama: havia sido constantemente abusada sexualmente pelo nosso pai “indecente, pedófilo, sem dente, viciado em aguardente”, apoiado por sua esposa; nossa mãe escrota. Traumas que a levaram para o caminho da prostituição. Sim, meus caros, foi pedir abrigo no Puteiro “Pau não Cessa”: boceta R$10, cu R$20. Teve que baixar a cabeça para o cafetão “Olho de Vidro” e fazer politicagem com as “primas”. A cocaína foi sua companheira de calvário. Casca grossa, retornou para nosso antigo lar e com ajuda de seus dois amantes –  Pernalonga e Pica-Pau –, eliminou nossos pais. Eu, tão inocente (só que não), nada pude fazer. Aos poucos, seu ódio pelos homens foi ganhando novos contornos. Sob as bênçãos do Nióbio, ela se transmutou em Dona Beija, devoradora de machos, a feiticeira de Araxá. Ao sair das Masmorras, de volta a superfície, posso contemplar seu Reino. Rainha absoluta, dominatrix fatal. Wanda não é nada perto dela. Ela e suas sicárias só têm um único objetivo de vida: de posse de cintaralhos, escravizar e humilhar todos os homens: “abre o cu e rebola, viados, vai!”. Eis o Império das Mulheres, da Boceta, a triangulação Illuminati; vibram feministas desgraçadas. Finalmente, conseguiram o que tanto ansiavam: poder ilimitado!
- Que interessante, Klaus.












Pagode Russo: a Sinfonia da Dívida e a incompreensão provisória do valor da Mistura
Vídeo[8]:

 - Futuros, a patuleia que gosta do vitimismo vai saber analisar todas as ações de minha irmã. A compreensão será total, afinal fora vítima de abuso sexual. Que pai filho da puta, não é mesmo? Logo, como diz aquela desequilibradase me atacar, eu vou atacar. Foi isso que ela fez. Ora, se a Netflix pode cagar com a obra Death Note ao sugerir uma justificativa para as ações de Light/Kira – um shinigami que induz as ações do protagonista –, por que não posso fazer o mesmo? Como disse, esta porra vende. O Ocidente não consegue gozar de outra maneira.
- “Depressão é a peste entre os meus. Plano perfeito para vender mais carros seus”.
- Sim, estou no semiárido nordestino. Vejo as engrenagens por tudo quanto é lado. Toda a paisagem é mecanizada. Mulheres seminuas fazem propagandas de carros ultramodernos. Reparem: sempre convocam piranhas para este tipo de serviço. Do chão, castigado pelo Sol Inclemente, surgem dezenas de senhoras, representando a velha usurária de Dostoievski, que repetem, para mim, sem parar: assassino, assassino, assassino. Para fugir delas, pego carona com um carcará robótico e tento conduzi-lo da melhor forma possível para que ele me leve para longe dali, afinal não devo nada a ninguém, nada, caralho. Quando acho que voei longe o bastante, que estou a salvo das “vozes”, que não param de me atormentar, abandono a grande ave. Local seguro? Que nada! Logo percebo que estou sobre as mãos de Buda, ops, Gonzagão – o Rei do Baião. E o que escuto? “Ontem, sonhei que estava em Moscou, dançando Pagode Russo na boate Cossaco. Parecia até o frevo naquele cai ou não cai”.  Diante de mim, uma fusão entre a capital da Rússia e o Sertão: dançarinas de frevo lado a lado com os bravos Cossacos. Cangaceiros e Mafiosos. A Cachaça e a Vodka. O Calor e o Frio. O que tudo isso significa? Será que é um puzzle (quebra-cabeça)? Será que tenho que escolher um dos lados? Abandonar minha identidade brasileira e alemã? Não posso me esquecer que tenho que morrer para o mundo para ressuscitar para a Fraternidade.
- Por que não sustenta as oposições ao mesmo tempo? Desta vez, somos nós que iremos te oferecer visões, caríssimo.





Sashay Away: “Adeus, vai-te embora, ninguém te adora”
Vídeo[9]:

- Klaus, preste atenção. Sei que disso você nada entende, mas o Carnaval Carioca, quando tinha, ainda, alguma relevância, teve a sorte de ser sede de alguns, digamos, profetas do Mundo. Mais do que Mundo. Profetas do Haver. Entre eles, um sujeito, chamado João 30. Certa vez, lá pelos idos da década de 80, em um exercício de análise, ele disse o seguinte: “Quando eu procurava contato masculino (para foder) não tinha peso, nem problema. Estava procurando a solução. A síntese. Assumo a oportunidade de ter tido o conhecimento das duas balanças. De procurar, aí vem a triangulação de tudo, o Terceiro, a Síntese, que já no Oriente se diz que é a meta... a próxima etapa do homem é o andrógino. Claro que a gente não espalha muito, porque já tem muita gente dando e aí não vai ter ninguém para “comer”. Enfim, tenho calculado muito, gosto muito quando a gente relaciona as palavras. O meta é a Meta. Se você quer meter, você está procurando uma meta. Como o foder é o fundir”.
- Que porra é essa? Por que estou em um imenso aquário, simulando o útero de uma mulher? Percebo que há outros ao redor de mim. Estou sendo formado? No quê e por quem?
- It’s Time!
- A estrutura, como se tivesse viva, executa uma série de movimentos e me expele. Nascimento. Braços mecânicos surgem e me montam. Sou tratado como se estivesse em uma linha de montagem de automotores. Trabalho finalizado. Logo percebo que me transformei em uma “drag queen”. Nome? Suzy Raio Laser. Ao meu lado, há mais três “drags”: Alaska Thunderfuck, Regine de Mônaco e Magaly Penélope. Cada uma é patrocinada por um conjunto de indústrias.
Alaska = Armas
Magaly = Carnes e Laticínios.
Magaly = Farmacêutica.
Suzy = Açúcar.
- As luzes se acendem e escuto uma voz sarcástica:
- Quatro Rainhas diante de mim. Nesta noite, o desafio é fazer uma grande performance, baseada na música “Money, Money, Money” do grupo ABBA. A passarela é de vocês. Ladys, essa é sua última chance para me impressionar e, assim, escapar da eliminação. The time has come!
- Estou num “reality show”? Logo o da RuPaul? Mas que merda! Uma inteligência artificial me diz: lute por sua sobrevivência.
(...)
- Klaus, a conexão caiu. O que houve? Qual foi o resultado?
- Escutei a famosa frase de RuPaul – Sashay Away –, e, em seguida, fui tragado pelo chão, sem deixar rastros.


SECHS
Aniquilação: um vaso sem interior, nem exterior. Nova Máquina Revirante
Vídeo[10]:


Perdedor
Assassino                                          Fracassado
Manipulador

- Sabe de uma coisa, Futuros?
- Espere, Klaus. Não faça isso!

Estou cansado de ser o que você quer que eu seja
Eu me sinto tão descrente, perdido sob a superfície
Eu não sei o que você espera de mim
Sob a pressão de me colocar no seu lugar
Cada passo que dou é mais um erro para você
Fiquei tão dormente que nem sinto você
Fiquei tão cansado, tão mais consciente
Estou ficando assim e tudo o que eu quero fazer
É ser mais como eu e menos como você
Você não vê que está me sufocando
Apertando forte demais, com medo de perder o controle?
Porque tudo que você pensou que eu seria
Desmoronou bem na sua frente
(Numb, Linkin Park)

- Espere, Klaus!
- Klaus? Morrer para o Mundo, ressuscitar para a Fraternidade!

Memórias consomem
Como se abrissem a ferida
E eu estou me criticando mais uma vez
Vocês supõem
Que estou seguro aqui em meu quarto
A menos que eu tente começar de novo
Não quero ser o único que sempre escolhe as batalhas
Porque, por dentro, eu percebo
Que sou o único confuso
Não sei pelo o que vale a pena lutar
Ou por que tenho que gritar
Não sei por que provoco
E digo o que não quero dizer
Não sei como fiquei desse jeito
Eu sei que isto não está certo
Então, estou quebrando o hábito
Estou quebrando o hábito... Esta Noite!
(Breaking the Habit – Linkin Park)

- Coringa.
- Aliás, nem Fraternidade. Chega desta merda toda. Vou ressuscitar para o Novo!
- Bingo.
- Futuros, vocês são uns safadinhos, hein? Bela estratégia. Como se diz: Sashay Away, humanidade.
- Agradecemos suas palavras, Arlequina. Foi bom dividir a mente de Klaus com você. Grande parceira.
- Sem bajulações. Bem, quero um cigarro para fumar a novidade...

Calma. Vocês não ficarão sem entender o desfecho desta história. Calibração. Recuperação de Dados. Taxa de sincronização: 99,9%. Pronto. Após ser desprezado por RuPaul, Klaus se viu num estado de vazio absoluto. Um vazo sem exterior, nem interior. Lugar de neutralidade. Neste Lugar, não existe mais aderência sintomática por nenhuma indústria. Prejuízo para a Máquina de Lucro. Algo se passou em seu cérebro que ele mudou o vetor. Passou a fagocitar “as vozes” que tanto o incriminavam, incluindo os Futuros que, como foi dito, não são empáticos. Entendeu que as cordas (ou fios) imaginárias que ligam os seres humanos, de acordo com um campo morfogênico tal, são uma expressão (“pagamento”) de uma postura mental: a paranoia. Ao incorporar os Futuros, experimentou ao alelo oposto: a metanoia, condição necessária para a Criação. No processo de desenvolvimento da espécie humana, ela, a paranoia, teve sua importância, porém, a esta altura dos acontecimentos, já não produz a instabilidade necessária para garantir a Estabilidade do Sistema Macro: “em um Sistema uniforme e pobre em mudanças que não sofre instabilidades, a possibilidade de catástrofe aumenta exponencialmente e, sendo assim, poderia ser considerado um Sistema verdadeiramente instável”. Klaus entendeu que chegou o momento ideal de pôr um fim definitivo nesta badaroska, chamada de humanidade, abrindo caminho para a emergência de uma nova máquina revirante. Para além do carbono e do silício. Entendam que toda máquina revirante é uma máquina de refino.

Abolindo a fronteira entre realidade e ficção, ele se lembrou, de acordo com seu repertório de cultura geek, de personagens que tentaram exterminar com a espécie humana – Maki Gero e androides 17 e 18 (Mirai Trunks), Majin Boo (segunda forma), Agente Smith (Matrix), Aliens (Independence Day e Guerra dos Mundos) –, mas falharam miseravelmente muito por conta da covardia dos autores destas obras. Klaus não perdeu a oportunidade. Transmutado em Coringa (versão do cineasta Nolan), flutuando nas camadas mais altas da atmosfera terrestre, ofereceu um olhar de desdém para a doença mais perigosa que já havia surgido neste planeta. Em seguida, levantou sua mão direita e uma série de raios (os “vetores”, potencializados, da animação japonesa Elfen Lied) partiu dela, aniquilando todos os mais de sete bilhões de habitantes. Nem a patota dos The Skulls & Bones ficou de fora. Os servidores do planeta 3TC foram, também, destruídos. “Chuva dourada”, trazendo consigo a nova Máquina Revirante. Não era de carbono, nem de silício, grafeno ou qualquer coisa parecida. Máquinas fantasmas: a transa era outra. Para Klaus, o futuro era vazio. Seu grandioso e necessário feito, um evento Singular, até será lembrado pelos novos inquilinos, durante certo período. Mas, conforme o avançar desta ficção, chamada “tempo”, vão esquecê-lo, vão esquecê-lo bem rápido...




















Justificativa


Observem que na página dois, temos a fórmula química (C7 H16 NO2) da substância Acetilcolina, envolvida na produção do sonho, que age após a ação da norepinefrina, responsável pela produção do sono. Sei lá, achei pertinente falar um pouco sobre isso...

Quero começar falando sobre o subtítulo do enredo: Geister Maschinen. Primeiramente, como se pronuncia? Simples: GAISTER MAXINEN (pode dar uma “puxada” no R, ok?). Segundamente, o que significa? Máquinas Fantasmas (tradução aproximada). Terceiramente, por que está em alemão? Porque uma das referências é a vida dos irmãos Suzane e Andreas von Richthofen e o sobrenome, em questão, é em alemão. Isto significa que o enredo é uma análise da mente de Andreas? Não. Faz parte da constituição desta obra, mas não é o elemento central. Estou muito mais preocupado com a movimentação da Rede do que analisar uma mente específica, se contar que não se analisa à distância, não é mesmo?

Bem, por questões de momento, queria dar continuidade à temática, trabalhada no enredo Réquiem para Kolônia e o despertar do Carnaval. Não se trata, simplesmente, de falar sobre a loucura, mas, sim, de acrescentar um elemento novo – o avanço do espectro autista (ou metanoico) –, e como ele está reformatando o entendimento do que é loucura. A questão da Cracolândia paulistana me chamou atenção. Não estou aqui para julgar a gestão do atual prefeito de São Paulo (até porque não vou cair facilmente na dança de guerra dos algoritmos: a treta como engajamento de rede social), afinal nem moro lá. A questão é particular: a proposta de internação compulsória dos adictos daquela região. Ora, na minha experiência na área psicanalítica, sei perfeitamente que não adianta oferecer Análise para quem não está, de fato, disposto a fazê-la. Se na neurose habitual (aquilo que hoje chamamos de programa estacionário) isso é impossível (e mais: sabemos que a pessoa paga uma Análise para se defender), imagina para quem está em surto psicótico pelo uso abusivo e sistemático de drogas? Sem chance. Muito provavelmente, a instituição que irá recebê-los será hackeada e poderá se transformar em um novo Colônia de Barbacena, objeto principal de crítica do Réquiem. Não tenho a solução para esta questão, mas nada impede de fazer questionamentos.

Os temas foram aparecendo em minha mente: loucura, Cracolândia, Andreas. O herdeiro dos Richthofen entra nesta jogada por uma questão bem peculiar. Há alguns meses, ele foi internado, porque, em função de uma determinada fuga, ele invadiu a casa de estranhos e, inclusive, ao pular a grade, acabou se machucando. Inicialmente, a imprensa noticiou que ele estava fugindo das ações de policiais na Cracolândia. Dias depois, esta história foi desmentida. Mas o que me chamou atenção foi o que ele disse para policias e equipes médicas: estava a serviço de um Imperador. Ora, em Réquiem, trabalho com os chamados Imperadores da Nova Terra, representantes da Era do Fogo (o Segundo Império). Vi uma oportunidade de encaixe e pensei: é por aí que esta história vai começar. Os Imperadores, via Portão Estelar, viriam para a banda de cá, capturariam os deserdados sociais para, no lado de cá, criarem uma réplica do vilarejo Kolônia. Então, mudei a parada: ao invés de ser uma ação do Dória, ação dos Imperadores. Mas, como vocês podem observar, Arlequina veio junto e fez o que ela sabe fazer de melhor: bagunçou com o Sistema.

Primeiro Setor é inspirado, basicamente, em duas músicas do rapper paulistano, Criolo: “Duas Buchas de Cinco” e “Convoque seu Buda”. Fiquei impressionado com as referências do cara, fiquei até de pau duro. Aproveito para esclarecer algumas passagens nesta parte da sinopse:

“Vejo a profusão de chewbaccas, olhos brancos vidrados, o preto predomina”.

Como os adictos estão tão siderados (sintonia máxima) com as drogas, eles se tornam indiferentes em relação à própria higiene. Criolo faz uma bela associação com o personagem Chewbacca de Star Wars por ser todo peludo. Gostei muito, esteticamente fica bem legal para um desfile, chama atenção do público. Com relação aos “olhos vidrados”, não passa de um dos sintomas do abuso no uso da pedra de crack (a sujeira da cocaína). Preto predomina é em função da presença majoritária de negros na Cracolândia.


“Lolitas? A boceta para o pó. Lolitos? O cu para o vapor. Hard Candy. O programa não passa de R$10. Branquinhos têm mais valor”.

Referência à prostituição. O sexo serve como moeda de troca para se conseguir uma “pedra” ou qualquer outra substância. “Branquinhos têm mais valor”, porque, no mercado das peles, boceta e cu rosas são, de fato, mais valorizados. Pesquisem. Hard Candy é uma parte da Deep Web, destinada à pedofilia. É, também, o nome de um dos discos da Madonna, lançado em 2008. O que isso quer dizer? Sei lá.

“Troca-troca tecnológico? Também tem. Componentes do PS4 Pro + XBOX One Slim por duas buchas de Cinco e quando o X, que era Scorpio, chegar, não há como não $iderar”.

Que porra é essa de “o X que era Scorpio”. Simples, no fim deste ano, a Microsoft vai lançar seu novo console de última geração, intitulado XBOX One X, mas que, inicialmente, tinha um outro nome: Project Scorpio. Sacou?

“Tempo de Limpeza Social. Balas de borracha, jatos d’água, redes de Cyrax”

Mas que diabos são essas redes de Cyrax? Bem, Cyrax é um personagem do jogo Mortal Kombat, uma espécie de ciborgue. Em um de seus golpes, ele lança uma rede verde, prendendo seus adversários. Apareceu, pela primeira vez, no MKIII.

Agora, olha que coisa curiosa. A compulsão por repetição é uma das características do Tesão humano. Quando digo que há que se tomar cuidado para não se repetir um esquema como o do Colônia de Barbacena não é à toa. No dia 24/07 saiu uma matéria no Portal Uol com o título: “Denúncias de maus-tratos em clínicas psiquiátricas sobem 49% no país”.  É aquilo: a estrutura de poder vigente escolhe um sintoma como “cristo”, mas, se bobear, ele se estende para outros.

Para conceituar ‘Singularidade Tecnológica’, inspirei-me nos achados do engenheiro Ray Kurzweil. Neste link, você poderá obter mais informações sobre este fenômeno: 

O título – Singular – até pode ser pensado como abreviação do termo “Singularidade”, mas, na verdade, tem mais a ver com a ação de Coringa no final do enredo. Um evento único, ímpar, raro. Estou dizendo isso, porque, mesmo uma palavra sendo derivada da outra, a ação de Coringa está para além da Singularidade Tecnológica que era o objetivo inicial de Klaus, após conhecer a Fraternidade.

Dúvidas:

Os Futuros são criações da mente de Klaus ou algo além do conhecido? Sem resposta, interpretativo.

O que é Z = Z² + C e qual sua função no enredo? Sabe que não sei. Sorry.

Nova Terra foi destruída com a ação de Coringa? Não. Por que? Pensem um pouco.

Nova Terra é uma criação humana? Não.

Arlequina e Coringa, no futuro, podem criar um conflito entre eles? Possivelmente.

Aliás, aqui vai uma curiosidade. Quando estava escrevendo “Réquiem” pensei na Arlequina, que é inspirada, também, no Arlequim da Comédia Dell’arte, para representar a transmutação de Juliana, após seu contato com o Motor Morfogênico, muito por conta da estreia do filme Esquadrão Suicida (2016). Aquele velho lance de fazer conexão com questões da contemporaneidade. Mas, até então, não sabia direito sobre ela e sua relação com o Coringa. Só depois, com enredo pronto, fui saber que Harley Quinzel era uma médica psiquiatra e conheceu Coringa no Asilo de Arkham. Puta coincidência, pois o vilarejo Kolônia é uma metáfora do Hospital Colônia de Barbacena. Juliana foi levada para lá, porque havia sido taxada como uma variante. Interessante que se, nos quadrinhos, Coringa sugestiona, abusa e manipula Arlequina; no meu Carnaval, aplico o Revirão e altero este paradigma: é Arlequina que sugestiona Coringa. Lição básica do que é nossa Festa.

Whis é viado? Quem se importa.

Vocês podem observar que faço citação a estas duas posturas mentais: paranoia e metanoia. De forma sintética, qual a diferença entre elas?

Postura Paranoica
Postura Metanoica
Transitivo; neurose, Psicose (extremo); Teoria da Mente; Captura de Olhar; Interpessoal; o Rabo do outro interessa e muito; Pôquer
Intransitivo; Espectro Autista; Psicopata (extremo); TDAH; Não-vincular; Ausência de Olhar; Logística; Articulação dos Programas; Xadrez. 

Digo a vocês que este enredo pode ser entendido a partir de Polos Temáticos: Despertar, Fraternidade, Singularidade Tecnológica como meta, Endoscopia, Abandono da meta da Singularidade Tecnológica, Evento Singular e Máquinas Fantasmas. Cada Polo contém crítica social, crítica analítica, ironia, sarcasmo e deboche. Atenção quando forem interpretar a atitude final de Coringa ao eliminar a espécie humana. Isso aqui não é o mundo encantado e platinado da Disney. É importante entender o conceito de sua ação. Para manter a estabilidade do Sistema Macro, você precisa introduzir instabilidade no Sistema Micro. Esta ideia é trabalhada pelo mangaká Shirow Masamune em “The Ghost in the Shell”. Reparem que até nas coisas mais triviais, esta teoria tem algum sentido. Por exemplo. Já repararam que as asas de um avião comercial e cargueiro não são retas em relação à fuselagem? No caso do avião comercial, temos o ângulo diedro, sua asa está inclinada para cima. No caso de cargueiros, temos o ângulo anedro, pois suas asas estão localizadas na parte superior da fuselagem, logo inclinadas para baixo. Entendam: se asa fosse reta, haveria (estou simplificando, ok?) tanta estabilidade num ponto micro que aeronave como um todo ficaria muito instável e não conseguiria, por exemplo, fazer curvas a contento. Logo, os engenheiros criaram estes ângulos para justamente produzir uma instabilidade num ponto micro que garantisse a estabilidade do macro, ou seja, de toda a aeronave. O raciocínio de Masamune é por aí. Cara bom, hein? Então, o que o Coringa está dizendo é: a espécie humana, em função de toda sua regressão, neuroses, psicoses, não está mais conseguindo produzir a instabilidade necessária que garanta a estabilidade do Sistema como um todo. Assim, tempo de renovação. Encará-lo (Klaus-Coringa) como um ser maléfico, mau que nem Pica-Pau, é muito primário. Se for nesta linha, largue este enredo e veja Eliana Dedinhos.

Quem acompanha meus enredos, possivelmente, deve ter notado a sistemática presença de cigarros e charutos. O cantor Rogério Skylab fala um pouco sobre o ato de fumar. Incrível como se encaixa com a minha intenção:

“Tem uma coisa que eu invejo nos fumantes - principalmente depois que eles foram impedidos de fumar em recintos fechados: a capacidade de parar, a pausa para fumar. Isso num mundo que não pode parar. Os fumantes conhecem como ninguém a experiência de sair do fluxo, de ficar à margem. Isso lhes dá uma vantagem considerável em relação aos não-fumantes: eles tomam distância; com isso, podem ver coisas que a um não-fumante é muito difícil enxergar”.










Roteiro


Da Origem das Máquinas Fantasmas... Automatismo e Endoscopia
Primeiro Setor traça um paralelo entre a mente de nosso personagem principal, Klaus, e o modo atual de funcionamento da sociedade. A corrosão de ambos Sistemas. De cara, para quem tem o mínimo de capacidade de observação, apresenta uma característica desta segunda década de século XXI: esquizofrenia autista. Algo igualmente trabalhado na minissérie americana Mr Robot. Acompanha seu “despertar” (instigado por uma entidade acusatória, denominada de Futuros) justamente na região da Cracolândia (São Paulo), sua “piração” – fusão entre elementos reais e ficcionais –, e, por fim, sua “excitação” ao se deparar com a endoscopia de uma Fraternidade: “The Skulls & Bones”. Colaboração e patrocínio: Arlequina.

Há sempre certa loucura no Amor.
Mas também há sempre
Alguma razão na loucura.
Friedrich Nietzsche



Crack do Sistema”

Significado: A Comissão representa, vejam bem, o vácuo do buraco da Xota; o simbólico e a procriação. O gozo dos restos da Máquina de lucro, o retorno do recalcado. Os Futuros fazem uma provocação: “tu deves, Klaus. Teu saldo é devedor. Diga: qual foi sua participação no assassinato de seus pais? ”. Um assunto incômodo para o rapaz que não pretende trazê-lo à tona para sua consciência. Os Futuros não desistem e, por isso, instigam-no a criar visões, recortes sobre a realidade – construções de cenários. É o que podemos chamar de ejaculadas do delírio. Qual a qualidade da sua porra? Seu leite está “batizado”? Ponto de Partida: a sua transa com a região da Cracolândia. Ele faz um panorama do modo de funcionamento deste lugar: tipo de comercialização (partes de consoles de última geração por “duas buchas de cinco”), caracterização dos stakeholders (a indiferença para com regras sociais, logo a higiene é desconsiderada, por isso a associação que o rapper paulistano Criolo fez com o personagem de Star Wars, Chewbacca), prostituição (para se conseguir a “pedra”, cu e boceta são colocados para jogo, não importando a idade) e repressão (crítica a atuação da gestão do prefeito João Dória no tocante a esta área, sobretudo a proposta de internação compulsória. No caso do enredo, esta repressão é representada por um ser mimético e suas três motos futuristas. Há, aí, uma relação com a obra “Réquiem para Kolônia e o despertar do Carnaval”. Esta criatura pode ser o Anjo da Reinstalação e os três motoqueiros, representantes dos três Imperadores de Kolônia; uma tentativa de reproduzir o modelo de recalque da Nova Terra). O caos como matéria-prima para que jovens dinâmicos ultrarrevolucionários (uau!) ‘deem pinta’ nas redes sociais – fábrica de curtidas. Bem, Klaus vai além. Apresenta-nos o fictício Outro Lado. Os endinheirados, cheirosos, assépticos; consumindo “ácidos” e MDMA – cultura sintética –, de boa; não são incomodados. Agora, de fato, há distinção entre legal e ilegal? Tudo não faz parte da mesma engrenagem? Onde moram os verdadeiros donos deste negócio, chamado “tráfico de drogas”? Em países primitivos como o Brasil, o bandido tem sua função social. O gozo é geral e irrestrito. E nosso protagonista já está de saco cheio desta merda toda.

Vídeo[11]:

Descrição: A Comissão é composta por dois chassis que estarão interligados por cordas metalizadas, simbolizando a inexistência de uma dualidade. A engrenagem, no fim das contas, é a mesma ou, dito de outra forma, feita da mesma substânciaNo primeiro chassi, teremos a representação da Cracolândia, porém se trata de uma representação estilizada, trabalhada na estética steampunk. Retorno ao steampunk (já trabalhei com este estilo no enredo “Revirão Geni – Para além do bem e do mal”, 2015) em função de certas características do processo de se fumar a pedra do crack: “pistola do vapor”, fumaça. Evidente que muito gelo seco será utilizado para esta encenação. Quando digo que “se trata de uma representação estilizada” é porque não me interessa fazer abordagem naturalista/realista da Cracolândia. Seria muito óbvio se escolhesse este caminho. Muitos sabem de minha admiração pelos carnavalescos João 30 e Fernando Pinto, porém não sou fã da estética de ambos, sempre muito entulhada e com excesso de informação visual. Sou adepto do “clean”, de uma arquitetura autista. Tenham isso em mente. Grato. Já o segundo chassi, que representará a cultura sintética dos endinheirados, tem forte influência setentista/ oitentista, mais precisamente em algumas produções do cineasta Ridley Scott, sobretudo “Blade Runner”, aquele visual retro futurista atende minhas necessidades para este momento. Ambos os “carros” terão telões de led (sustentados por cabos de aço), dispostos horizontalmente nas estruturas. Esta foi a forma que encontrei para driblar o problema de limite de componentes – 15 visíveis. Há de convir que não dá para retratar os conflitos e o caos de uma Cracolândia com, apenas, 15 pessoas. Assim, nossa agremiação irá contratar um destes youtubers (ou uma equipe deles) que criam, com mestria, cenários a partir do jogo Minecraft para produzir um curta metragem (no máximo três minutos) para ampliar o efeito pretendido.


No primeiro chassi, o público verá diversos bonecos articulados do chewbacca com uma “pistola do vapor” na boca, representando os usuários, sem higiene, fumando a pedra. Dez componentes farão a encenação não só do troca-troca tecnológico como dos fluídos corporais. Putaria, regada à cachaça e “sangue de boi”. É neste cenário que Klaus irá “despertar”. O componente que o representará, vestirá uma calça comprida preta, blusa branca e luvas vermelhas. O aspecto das vestimentas estará em frangalhos, sujo – o sexo de um bom malandro. Em sua cabeça, um capacete, grafitado. O desenho? Um cérebro prestes a explodir em função da provocação constante dos Futuros, que serão representados por um óculos high-tech ao estilo Google Glass. Em certo momento da apresentação, surgirá a misteriosa figura mimética e as três motos futuristas coloridas. Tempo de repressão. Os motoqueiros perseguirão os usuários, lançando as “redes de Cyrax”. Aprisionamento high-tech. Daqueles componentes da encenação do “troca-troca”, cinco irão trocar de roupa para representar os “jovens dinâmicos”, que filmam a confusão para postar, em suas redes sociais, sua indignação (Ui!). Responsabilidade social, empatia? Que nada! Promoção pessoal. Curtida como piroca.

O que teremos no segundo chassi? A cultura sintética, ora. Os verdadeiros donos do “negócio”, gozando em paz. Não há humanos, aí, apenas, manequins, estilizados com peças mecânicas, deitados em redes. A inspiração para construção deste cenário veio da obra do carnavalesco Arlindo Rodrigues para o Carnaval de 1987, na Imperatriz Leopoldinense. As imagens do telão (ratificando: encenação via Minecraft) vão dar o movimento necessário. Compondo o ambiente, réplicas do MDMA. Como é Madonna? Ah, já sei: “I’m addicted”. O mesmo lado, duas interpretações: proprietários de mercados, farmácias, empresas de comunicação, padarias, programas de caridade maconha, cocaína, cristal, sintéticos. É o Tao Flutuante. Guerra é guerra.


Os Futuros provocam Klaus, até de uma forma obsessiva, a todo momento, instigando- a criar cenários; expressar visualmente seus pensamentos. Só que o rapaz logo mostra que possui uma personalidade ‘zoeira’ e, em certas ocasiões e de propósito, corta a narrativa desejada.  É o objetivo aqui. Ironicamente, ele sugere ansiedade por parte dos Futuros. Ora, por que não um momento musical? Assim, ele traz para a cena a música “Life will Change”, que serve como trilha sonora para o game Persona 5, lançado em 2016.  Cinco componentes, em pernas de pau, usarão “mantos de led” que irão mostrar imagens de um Cassino. Dez integrantes femininas, com uma indumentária que lembra a das praticantes da ginástica rítmica, irão circundar tais componentes e farão de tudo, com uma coreografia bem acrobática, para que Klaus, transmutado em Joker, não consiga alcançá-los e, assim, ter a oportunidade de mudar a “rota” de sua vida. O Cassino não está aí para representar necessariamente o dinheiro, mas, sim, para nosso personagem mudar de postura: paranoia > metanoia, ou seja, não ser mera peça de indústria, mas se tornar A indústria.

“Quando Arlequina ‘roda’, o mundo se transforma”
Significado: Diante dos “tiro, porrada e bomba”, a confusão e repressão, iniciadas pelo aparecimento dos três motoqueiros, só restou a Klaus sair dali. Durante sua fuga, ele se depara com uma porta-bandeira que parecia estar completamente indiferente aquilo tudo. Só sabia girar, girar e girar. De maquiagem pesada e a barra da saia, repleta de notas da moeda americana. Uma debochada. E como Klaus gosta de mulheres debochadas, arrogantes, prepotentes. Dizem que são as melhores para satisfazer uma piroca. Bem, gosto é gosto. Na aproximação de ambos, qual foi a surpresa de nosso anti-herói? Além dos Futuros, a misteriosa mulher (que todos sabem que se trata de Arlequina) também provoca o rapaz ao dizer que ele tem algo a ver com o assassinato de seus pais e o compara ao personagem Ivan Karamazov, de Dostoievski. A obra   “Os Irmãos Karamazov” –, trata justamente de um parricídio e Ivan (atenção, spoiler alert!) foi o mentor intelectual da eliminação do patriarca da família, Fiodor. Reparem que Arlequina diz a Klaus que ele é um assassino em modo stealth (Ver Argumento). No mundo dos games, o modo stealth ou furtivo é quando o jogador avança no jogo de forma oculta, quase imperceptível, não há combate direto com os inimigos, o que não impede de eles serem eliminados. Foi introduzido pelo craque da área, Hideo Kojima, criador da franquia Metal Gear. Além da provocação, Arlequina sugere a Klaus uma trepada. Foi a forma que encontrou para mostrá-lo os segredos da Nova Terra. É possível inferir que foi a partir deste encontro, desta transa, que possibilitou as mudanças e capacidades metafísicas vindouras de Klaus como demonstrado no Argumento.



Descrição: porta-bandeira representará Arlequina. Enquanto a “saia” será confeccionada por um material que lembrará as notas da moeda americana (especialmente, cem dólares), o corpete será confeccionado por moedas de um dólar e cinquenta centavos. No “costeiro”, dois bastões de beisebol, dispostos em cruz. Deles, irão partir plumas verdes, vermelhas, com detalhes em rosa. No “adereço de cabeça”, uma escultura do kama Sutra, adornada por micro lâmpadas de led (tonalidade vermelha) para simbolizar a intenção desta personagem. Em seu rosto, pancake branco, batom bem vermelho, cílios postiços; no canto do olho esquerdo, um detalhe em azul e, logo abaixo, um pequeno coração, também, em azul. Detalhe: a porta-bandeira deve ser negra para experimentar a inversão (um dos pilares do Carnaval) e, no instante da dança, ser uma pessoa com a pele clara. Para reforçar esta “virada” na concentração de melanina: luvas brancas. O mestre-sala representará Klaus. Haverá uma fusão de elementos para compor sua fantasia: (I) O jovem adulto de classe média alta que se transformara num “crackudo” + (II) a opinião de Arlequina sobre parte de sua personalidade, ou seja, uma espécie de protótipo de Ivan Karamazov. Por isso, a mescla de um traje russo masculino do século XIX com significantes do personagem Chewbacca. Após a apresentação oficial para os jurados, o casal fará uma encenação (algo rápido que não levará trinta segundos) de acordo com o que foi estabelecido no Argumento. Relembrando: Arlequina pede que ele fuja daquela região. Os Guardiões do Casal estão divididos em dois grupos: (I) os ‘bobos da corte’ de nossa entidade e (II) chewbaccas tunados. Enquanto rola um combate entre estes grupos, o mestre-sala se afastará até se encontrar com um outro componente que também estará representando nosso protagonista: o fim e o início de uma nova encenação. Que venha a primeira Ala. Importante dizer que todos os componentes que representarão Klaus irão usar o óculos high-tech ao estilo Google Glass para simbolizar “as vozes” persecutórias dos Futuros.

“Chewbaccas Tunados e a Pistola Ejaculadora Flamejante”
Por algum motivo desconhecido, os chewbaccas (crackudos) ganham uma nova funcionalidade: largam a “pedra” e a “pistola do vapor” e passam a perseguir Klaus. Foram aditivados, tunados. Por quem? Não se esqueçam que uma das características da psicose é a síndrome persecutória e o uso do crack potencializa este sintoma: excesso de “colagem”, transferência. Bem, após o contato com Arlequina, dando pinta de porta-bandeira; este adquiriu novas habilidades (parkour, grindr, tirolesa), facilitando sua fuga pelas ruas de São Paulo. Foi hackeado pela boceta da entidade: secreção vaginal revirante. Para aplicar um headshot nos “tunados”, eis a Pistola Ejaculadora Flamejante. O modelo da arma pode ser visto na figura acima. Esta ala será teatralizada e contará com obstáculos (grafitados) para que o componente da escola, representando o protagonista da história, possa fazer parkour. Haverá, também, acima da ala, fios de aço para que Klaus possa fazer grindr e tirolesa e, assim, “disparar” nos chews tunados (“adereço de cabeça”, tingido na cor vermelha)Muita movimentação. Cores predominantes: amarelo, marrom, vermelho, rosa e preto.



Ala 2:
“A Dissolução da Sagrada Família e Deuses Perdidos”

Os Futuros provocam. Klaus responde. Já que sua família fora destroçada a partir das circunstâncias já explicadas; em sua nova visão, ele vê, metaforicamente, a dissolução da obra Sagrada Família, de Gaudi. Vê, também, o desespero dos Antigos por não encontrarem mais respostas nos caducos deuses da humanidade. O Fim de um tempo e das mitologias de uma espécie. Para representar este conjunto de ideias, teremos a VELHA-GUARDA, representando os Antigos, os obsoletos, tentando buscar alívio com deuses e entidades decaídos: jesus, shiva, ganesh, buda, zé pelintra, xangô. Os componentes que irão representar tais entidades estarão em cima de hoverboards (espécie de skate elétrico) e, durante a encenação, irão girar em torno do seu próprio eixo, simbolizando perdição, loucura. Não conseguem mais dar conta da entropia do século XXI. Como a velha-guarda terá, desta vez, um significado dentro do enredo, sua indumentária será constituída de retalhos, panos retorcidos, cores melancólicas. Um horror. Nada de elegância. Não levem a mal, faz parte da encenação. Carnaval, afinal, é desconstrução. Acima da Ala, quatro cabos de aço, a seis metros de altura, sustentarão uma escultura em ruínas da obra Sagrada Família. Cores Predominantes: roxo, verde musgo, bege, laranja desbotado.

Ala 3:

Não é fácil mudar o comportamento humano. Dostoievski, em “Crime e Castigo”, já dizia que o que a espécie mais tem medo é justamente mudar seus hábitos. Logo, para tal efeito, é necessária uma complexa estratégia de Engenharia Social para que a patota escolha “assinar um novo contrato” para que “possa executar novos pagamentos”: a indústria verde, a tal da energia limpa. Para isso, por que não sustentar teses mal comprovadas sobre aquecimento global, provocado pelo homem, para atingir este fim? Nada como instalar a culpa na patuleia para vender a chamada tecnologia sustentável, patrocinada, sobretudo, pela Alemanha. Para representar este conjunto de ideias, as visões de Klaus sobre o assunto. O público verá elementos cenográficos, representando moinhos de vento (energia eólica). Será adornado com centenas de papeis, representando o Euro, moeda oficial da Alemanha, formando o rosto de Angela Merkel. Outros “elementos” representarão cadeiras de Sol. Nestas cadeiras, mulheres bem magras (gordura é algo não aceito na Sociedade Verde. Culto ao Osso. Angelina Jolie, beijos!), – atitude blasé –, usando óculos modernos e roupas que refletem a luz da Avenida: meus caros, são os painéis solares. Entre estes adereços, componentes, representando pássaros mortos. Para quem não sabe, as energias solar e eólica causam a morte de centenas destes animais, ou seja, também impactam o meio ambiente. Para reforçar isso, as hélices dos moinhos estarão tingidas, parcialmente, de vermelho. Mas, Klaus vê, também, os indiferentes, isto é, a galera que se submete a deusa suprema “Kaganda e Yandanda” e não dá importância para a Agenda de novos comportamentos neuróticos e só quer saber de fumar sua maconha: “que se foda a ideologia! ”.  Cores Predominantes:branco, verde, vermelho e cinza metálico.

“Na hora do aperto, convoque um Cavaleiro! Ui!”
Vídeo[12]:

O fluxo das visões. A dança da Fuga. Por mais que tenha adquirido habilidades, o ácido lático começa a fazer efeito e Klaus acredita que não encontrará uma saída. Sua mente, entretanto, segue produzindo miragens, mesclando elementos caros para a sociedade do século XXI com questões não tão bem trabalhadas de sua história pessoal (ontogênese). Seu repertório e transas contam para a produção de um imaginário, assim, eis um exercício de transmutação e, também, projeção. Sua irmã, a assassina, ganha uma nova máscara (persona): Kilmaza. Sim, a bruxa intergaláctica, irmã de Kilza, da produção japonesa Jaspion. Castanholas, risos e deboche. O rapaz irá fracassar e será devorado pelos chewbaccas tunados. Seu Sistema segue sendo consumido por transferência familiar. Ainda não conseguiu se libertar. Prestes a entregar os pontos, os Futuros pedem para que ele preste atenção na cena, dessa forma, vê o surgimento de um cavaleiro, denominado The Skull Man que o tira dali. Um homem de sorte. Se fosse mais lúcido bem que poderia se tornar um corretor zoológico, não é mesmo? Para representar este conjunto de ideias, esta Ala será composta de quatro elementos: Klaus (o componente utilizará uma indumentária, já descrita, mas terá fios de led – coloração branca –, simbolizando o efeito do ácido lático sobre seu corpo), chewbaccas tunados (indumentária já descrita), Kilmaza  (fantasia composta de: peruca black power loira; botas, saia, corpete e uma espécie de coroa na cor cinza metálico; e, ao redor do pescoço, um conjunto de penas brancas, além claro das castanholas) e, por fim, o cavaleiro The Skull Man (inspirado no protagonista da animação japonesa homônima) que estará inserido dentro de um Tripé articulado pelo grupo francês Royal de Luxe que já foi fonte de inspiração para o Carnaval Carioca no ano de 2003. A segunda alegoria da Mocidade Independente, que havia trazido o enredo sobre Doação de Órgãos, foi projetada com a tecnologia deste grupo. Particularmente, gosto de ver um trabalho do tipo no qual as engrenagens, para funcionamento do adereço, aparecem. E tem tudo a ver com o conceito deste Setor, o lance da endoscopia. Canhões de Luz, apontadas para o céu, e fogos de artifício serão usados para representar a fuga de ambos da Terra. Cores predominantes: preto, cinza escuro, cinza metálico e branco.


ABRE-ALAS
“The Skulls & Bones: endoscopia de uma Fraternidade”

Significado: Escapismo, mas, também, solução. Início de uma revolução? Reorganização de uma mente em colapso, estilhaçada, cê acredita? Imagens e produção de sentido. Resgatado por The Skull Man, Klaus é levado para além do empuxo da gravidade terrestre. Viagem Sideral. E, ao contrário da protagonista do filme (neurótico) Gravidade, o espaço, para ele, é um lugar acolhedor. Ora, a possibilidade de penetrar o Haver, que nada mais é do que metáfora do conceito de criação, é uma de suas obsessões. Nosso protagonista descobre a existência de um planeta, batizado de 3TC, que serve como uma Central de Backups de Cérebros Cibernéticos da Fraternidade The Skulls & Bones, composta por 108 membros. Ou seja, uma galera que já experimentava os benefícios da Singularidade Tecnológica. Um tema caro para Klaus que, de fato, queria se ver livre da carcaça biológica que aprisionava seu software. Todo e qualquer aprisionamento começa aí. Descobre que, para fazer parte de tal Grupo, teria que fazer, na verdade, uma endoscopia de seu próprio Sistema; entender, em pormenores, seu modo de funcionamento mental. Sem moralismo, sem teatro – exposição total. É tempo de morrer. Morrer para o mundo, para ressuscitar para a Fraternidade! Tudo tem seu preço.

Descrição: A alegoria é acoplada e, esteticamente, privilegia a forma vazada, sem excesso de informação. Para representar a Central de Backups, haverá 108 bastões luminosos (led), de aproximadamente oito metros de altura, divididos entre os dois chassis (54 para cada). Na extremidade destes bastões, a representação de cérebros cibernéticos. Será possível ver fios metálicos, inspirados nas “cordas” do game Death Stranding, partindo da região da nuca. A base do Carro é toda constituída por tubos entrelaçados em acrílico, o mesmo material que fora utilizado pelo carnavalesco Renato Lage para a confecção do Abre-Alas da Mocidade Independente, em 1997. É uma forma de homenagem, afinal De Corpo e Alma na Avenida tinha, também, a endoscopia como tema; no caso, endoscopia do corpo humano. Oito esculturas de um androide (ver imagem acima) estarão posicionadas nas laterais (quatro, lado direito; quatro, esquerdo), com suas faces, voltadas para o público (arquibancadas e camarotes). Para finalizar, cristais de gelo irão compor o cenário, o que indica que o Planeta 3TC está bem distante de uma estrela. Todo mundo sabe que servidores precisam de um clima bem ameno para seu bom funcionamento. No caso, aqui, bem gelado... Execução Aurora.

Fantoches do Delírio: canibalismo na Cidade dos Pilares

Engenharia Reversa. O Segundo Setor retrata o início da viagem vertical que Klaus se propõe a fazer em seu sistema nervoso central para, assim, atingir os requisitos necessários para ingressar, de vez, na Fraternidade The Skulls & Bones. A meta é a tão sonhada Singularidade Tecnológica. Para começo de conversa, embrenha-se em um dos maiores desertos do planeta – Rub’ al Khali –  para descobrir os segredos da cidade “perdida” Iram dos Pilares, a mítica Atlântida das Areias. Sonho ou Realidade? Até onde vão as interações químicas de um cérebro esquizofrênico autista? Qual sua capacidade de regeneração e reconstrução para mitigar os efeitos de um colapso?


E quando ela gira
Dessa maneira se move na lógica de todos os meus sonhos
Esse fogo queima
Percebo que nada é como parece
Desert Rose, Sting

Ala 5:
“Caravana Robótica: transações da Xota. Débito ou Crédito? ”

Nenhum aventureiro passa incólume diante da aventura que ele pretende encarar. Dizem que o cheiro do sangue que esvai de seu corpo é um tesão, além de ser viciante tal como uma droga qualquer. A função dos obstáculos é forçar sua desistência. Porém, se analisarmos de outro modo, eles – os obstáculos – desempenham, também, o papel de glorificação deste aventureiro, sobretudo se a persistência for uma de suas qualidades. No campo do Real, as coisas funcionam mais ou menos assim. No campo do Delírio, temos um nome mais apropriado: resistências, que são criadas pela própria marionete. Conhecem esta expressão, né? Não fode, nem sai de cima. Klaus quer chegar até Atlântida das Areais, mas, contrapondo ao seu desejo inicial, ele “fabrica” barreiras, afinal a jornada não poderia ser tão fácil. Pois bem, a primeira delas é nada mais que uma caravana de camelos robóticos, conduzida por beduínos que trabalham para mafiosos russos no negócio de exploração sexual de mulheres. Ponto de revenda? Madureira. Opa! Desculpem-me, rolou um engano por parte deste escriba. Acho que é excesso de sangue de boi, foi mal. Local de revenda? Israel. Esta Ala será composta, majoritariamente, de beduínos, odaliscas e camelos mecânicos. Estes serão confeccionados pelo grupo francês Royal de Luxe. As odaliscas que estarão montadas nos camelos carregarão placas com os dizeres: Não avance! Pare, sr Juiz! Retroceda! São mensagens para Klaus. A indumentárias das moças será inspirada em duas personagens femininas de Mortal Kombat – Kitana e Milena. Detalhe: neste Setor, a câmera de pista da emissora oficial, responsável pela transmissão dos desfiles, terá uma função dentro do enredo: representará Klaus. O que isto significa? Que o público incorporará este personagem, a câmera servirá como marionete. Com o avançar das alas, a sucessão das resistências. Para completar, homens sarados, de turbantes e tapa-sexo, irão conduzir bastões. Na ponta de uns, a estrela de Davi; na ponta de outros, uma águiaO Festival vai ser do meu jeito... Cores predominantes: areia, bege, azul, roxo, cinza escuro metálico.

Ala 6:
“Ruínas de Sorento. Porque tocar uma ‘flauta’ é fundamental”

A resistência anterior apelava para uma possível postura empática de Klaus, visando tirar sua concentração. Mulheres escravizadas seria uma ótima forma de sensibilizar cérebros paranoicos, não é mesmo? Que distração! Cadê seu espírito justiceiro, meu jovem? Por que, não, socorrê-las? Mas nosso protagonista é um obstinado e fará de tudo para alcançar a tal da Singularidade Tecnológica. Segue adiante, e se depara com um vilarejo em ruínas, habitado por estranhas criaturas mitológicas, denominadas de Sorento de Sirene. Carregam uma flauta que emula o canto das sereias (aqui, recorremos ao mito grego, ou seja, sereia é uma mistura de mulher com pássaro) com a finalidade de deixá-lo desorientado; a melodia do esquecimento. Em combinação com a emissora oficial de transmissão, o cinegrafista da pista irá simular o efeito de uma pessoa bêbada e efeitos visuais irão simular uma visão turva. Para compor a fantasia, iremos nos inspirar em um dos sete generais de Poseidon da animação Cavaleiros do Zodíaco. Alguns componentes estarão flutuando com ajuda de cabos de aço, presos aos elementos cenográficos, representando as ruínas. Cores predominantes: vermelho, laranja, areia, marrom claro, cinza.

Ala 7:
“Ajin – os demônios do deserto”

Obstáculo superado, mais uma resistência à vista! O deserto e seus segredos, suas miragens. Klaus avança e se depara com uma profusão de esqueletos por toda a parte. Deduz que está mais próximo da Cidade Perdida. Tempestade de areia, enxergar para quê? Madonna, em Frozen, cantava: “você só vê o que seus olhos querem ver”. No interior da tempestade, uma guerra entre aventureiros e demônios do deserto, de nome Ajin. Segundo “as vozes”, os Ajin são uma criação do Rei Salomão e tem como função defender Iram dos Pilares, impedir o avanço dos curiosos; o segredo (a cidade abrigava um Portal Estelar) não podia ser revelado. A inspiração para citar Salomão veio do jogo Uncharted 3 (Playstation 3, Playstation 4 – versão remasterizada), da Naughty Dog, só que, no caso, os demônios do deserto eram chamados de Djinn; a função era a mesma: proteger Iram. Fiz esta substituição como forma de homenagem à animação japonesa Ajin, sobretudo porque este anime traz personagens que transcendem a condição de humano da forma como conhecemos (além de imortais, secretam uma espécie de fantasma negro com alto grau de letalidade) e isso dialoga com a mente de Klaus que quer se livrar de sua carcaça biológica. Como este conjunto de ideias será representado? Primeiramente, a emissora oficial vai inserir efeitos visuais (mas tudo planejado pela Agremiação, atenção!) que lembrarão uma tempestade de areia. Na Avenida, para este mesmo fim, será usado um pó (tom madeira) qualquer e ventiladores. Será uma ala coreografada para ratificar o conflito entre os demônios (malha preta e costelas na coloração neon) e aventureiros (uma indumentária que lembra a do personagem clássico Aladdin. Nas mãos dos componentes, uma cimitarra). Um integrante da escola, representando um aventureiro com uma espada na mão, estará equipado com uma câmera portátil de alta definição (dessas que os youtubers usam), conectada com a transmissão oficial. O objetivo é trazer o telespectador para “dentro” da coreografia; o componente é sua marionete. Sobrevoando esta patota, um drone customizado, representando o Rei Salomão. Cores predominantes: preto, laranja, vermelho, areia, verde.

Vídeo[13]:

Ala 8:
“Mas estão em tudo que é canto, Saravá! 

Há as resistências, mas há, também, os persistentes. A criação de qualquer coisa envolve 90% transpiração e, apenas, 10% inspiração. E a gente sabe que a patuleia faz de tudo para fugir da transpiração, pois esta provoca o aumento do nível de tensão cerebral, uma exigência, e mostra para marionete que ela não é tão maravilhosa quanto achava ser. Para dominar o objeto com mestria, há que se abandonar este lugar de maravilha (e de família), caso contrário, nada de muito relevante será produzido. O ‘cabra’ que consegue passar pela “ilusão” da tempestade de areia e não se permite ficar preso em conflitos de ego (como mostrados na Ala anterior) tem a oportunidade de chegar mais perto de Iram. Porém, há uma última armadilha. Ao redor da Cidade Perdida, há um lençol freático e poços artesianos à disposição dos viajantes. Ora, depois de uma jornada tão cansativa pelo deserto, quem não iria beber daquela água? Quem iria desconfiar que se tratava de mais uma arapuca? Sim, pois esta água estava contaminada pelos restos do banquete, preparado para os Três Imperadores (de acordo com as visões de Klaus, atenção!). Prato principal? O corpo do Faraó Akhenaton. Ingestão do líquido? Transformação. A emergência dos zumbis (a sina da sociedade contemporânea). Diante das criaturas, Klaus mais uma vez se vê perdido e, mais uma vez, pensa em desistir. O colapso como colagem. Porém, não é que o sujeito é salvo novamente? Arlequina surge na parada e carnavaliza os monstrengos, permitindo a entrada de nosso protagonista na tão desejada Cidade. Para representar este conjunto de ideias, teremos uma Ala coreografada e contará com a participação de zumbis (a fantasia e caracterização, sobretudo facial, lembram a da paródia que o maquiador Victor Nogueira fez da música Paradinha, de Anitta. Entrem em seu canal no Youtube e confiram) e Arlequina. Mais uma vez, o cinegrafista fará parte da encenação. Primeiro que, como ele representa Klaus (lembrem-se da proposta deste Setor), efeitos visuais, representando “sangue na vista” (ideia, inspirada em jogos em primeira e terceira pessoa quando o protagonista recebe vários golpes dos inimigos. O “sangue na tela” indica, para o jogador, que o personagem está prestes a morrer) serão inseridos. Isso será em decorrência do objetivo da coreografia: os componentes, que representarão os zumbis, irão em direção ao cinegrafista, encurralando-o, forçando sua queda. Em seguida, aparecerá Arlequina que o levantará e dirá: “bobinho”. Num estalo de dedos, os componentes, de posse de uma indumentária carnavalizada, irão mudar sua postura. Para representar a água contaminada, quatro alguidares, feitos de acrílico, estarão conectados ao Segundo Carro, recebendo água do mesmo (efeito de retroalimentação). Importante dizer que esta proposta de se utilizar a câmera da emissora oficial como um personagem do enredo só será utilizada quando este Setor for mostrado na transmissão. Óbvio. Para o resto da Avenida, teremos um componente, representado Klaus. Ficou claro? Cores Predominantes: preto, verde escuro, branco, rosa e vermelho.


Akhenaton como banquete. Imperadores Canibais”
Significado: Segunda Alegoria apresenta toda a exuberância e o mistério da Cidade Perdida, Iram dos Pilares. No primeiro instante, ao finalmente adentrar no ambiente após vencer as resistências, Klaus se impressiona com a beleza do lugar, constituído basicamente de prata e ouro, e jardins de “tirar o fôlego”. Estética é tudo, não é mesmo? Porém, este não era o segredo que precisava ser descoberto, as muitas riquezas minerais não eram objeto de interesse de nosso protagonista, ele não chegou até ali para isso. O Revirão se apresenta. A sensação de conforto dá espaço para a de apreensão. Calibração no processo endoscópico. Do nada, múmias surgem que o conduzem para o interior da Cidade. A Revelação. Iram era sede de mais um Portão Estelar. Partem cabos de aço de sua estrutura que sustentam o corpo do Faraó Akhenaton, tido como o mais revolucionário do Antigo Egito. Ele havia sido responsável por uma grande transformação espiritual por aquelas bandas ao abolir o politeísmo e fundar o conceito de monoteísmo. Só haveria uma entidade a ser adorada: o disco solar (atenção, não é simplesmente o Sol. A ideia de disco, os raios que atingem a tudo e a todos. Nada escapa. A origem do “deus paranoico”). Teve problemas com os sacerdotes e, sem opção, mudou a capital política do Egito, fundando a famosa Akhetaton que, inclusive, foi citada pela Beija-Flor em 2010. Para muitos pesquisadores, cientistas e historiadores, Akhenaton seria o pai do monoteísmo no chamado mundo Ocidental, fonte de inspiração para as três irmãs Cajazeiras: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Freud debruçou-se sobre este tema em sua obra Moisés e o Monoteísmo na qual ele defendia, a partir de uma minuciosa análise, que Moisés era, na verdade, egípcio e levou este conceito de “um só deus” para os judeus. Ora, eliminando as disparidades, o mecanismo de controle para quem detém o poder fica mais fácil. A tese de “povo prometido” não passa de conversa fiada da alegoria bíblica (...) Mais um pouco da ejaculação do delírio de Klaus. Ele vê três cavaleiros (em suas capas, os símbolos das três religiões monoteístas do Ocidente), devorando o corpo do Faraó, um ritual de canibalismo. Conclui que se trata de uma cerimônia de obtenção de poder dos Três Imperadores da Nova Terra. Como já foi mostrado na Ala anterior a este Carro, os restos do banquete contaminam as fontes termais e o lençol freático do lugar, produzindo o efeito entrópico.


Descrição: Esta Alegoria é constituída de dois pavimentos. O primeiro, de aproximadamente um metro de altura, representará os túneis subterrâneos de Iram, lembrando que a partir das visões de Klaus, eles são elementos de conexão da Atlântida das Areias com o Reino de Araxá (Ver Argumento). Nesta parte, haverá componentes, mas o público não irá enxergá-los. Apenas, as luzes, provenientes de lá; para isso, eles estarão de posse de potentes lanternas. O segundo pavimento é a cidade em si. Na parte frontal, teremos os quatro alguidares de acrílico. Nas laterais, quatro pilares no total (dois para o lado esquerdo e dois para lado direito) com uma pintura de arte que lembra as construções da região. Na parte central, teremos uma fonte d’água, adornada com um belíssimo jardim suspenso. Explosão de Cores. Na parte traseira, haverá um Portão Estelar, içado a quase nove metros de altura. Cabos de aço partirão dele para sustentar a escultura do Faraó Akhenaton. Seu corpo será constituído de frutas de todos os tipos e os componentes, representando os Imperadores (inspirados nos cavaleiros negros do game Dark Souls 3), irão, de fato, comê-las, jogando os restos numa lâmina d’água que irá desemborcar nos referidos alguidares. Haverá, evidentemente, um integrante da escola, representando Klaus e fará parte de uma teatralização: o encantamento e a apreensão; levado por múmias até o Portal.

A Irmã que tinha pênis. Revira. Deus de Boceta

Terceiro Setor é revestido de uma boa dose de sarcasmo e ironia. Mentes sagazes irão compreendê-lo bem. Klaus segue produzindo suas visões e, desta vez, faz uma conexão entre Iram dos Pilares e o Reino de Araxá, onde sua irmã, a assassina, é a Grande Rainha. Havia se transformado em Dona Beija, a devoradora de machos. Conta uma história particular e não verídica de como ela conseguiu se transformar nesta sedutora e emblemática figura. Percebam que ele tem consciência de seu ato ao dizer que irá apelar para o coitadismo, vitimismo para sensibilizar mentes distraídas. Para ele, isto sempre funciona. Foi a forma que sua mente encontrou para lidar com o trauma (o assassinato de seus pais), uma justificativa que sustentasse à atitude de V. Assim, por que, não, pintar seu pai como um abusador sexual? Um cara “indecente, pedófilo, sem dente, viciado em aguardente”? Para além do parricídio, V., na persona de Dona Beija, constrói um Império, onde os homens são um mero objeto nas mãos das mulheres. Grelo duro, Pussy Power!

Um homem não é uma necessidade.
É um luxo como uma sobremesa.
Adoro sobremesas e gosto de homens.
Mas você não precisa deles para viver.
(Cher, cantora)

Vídeo[14]:

Ala 9:
“Bexiga Preta: enterro tudo aquilo que não entendo

A complexa rede de túneis de Iram estabelece uma conexão com uma outra rede, denominada Masmorras de Filomena.  Em suas visões, Klaus recebe as boas vindas de criaturas disformes, dominadas pela varíola (doença popularmente conhecida como Bexiga Preta). Se estamos entrando nos domínios de Araxá (famosa cidade mineira), nada como trazer para Avenida alguns de seus significantes e “causos”. No caso, o nome das “Masmorras” é uma referência à escrava Filomena (a Beija-Flor, em seu samba de 99, citou-a no ‘refrão do meio’: a escrava Filomena é fascinação), que, de acordo com relatos, fora isolada da população e enterrada viva por ter contraído varíola. A indumentária desta Ala é composta de uma malha preta – que cobre todo o corpo –, constituída de “bolas” fluorescentes (tonalidade laranja) de oito centímetros de diâmetro para representar as feridas, ocasionadas pelo avanço da doença. No “adereço de cabeça”, a face de uma pessoa angustiada (representa o fato no qual Filomena havia sido enterrada viva), adornada com plumas que mesclam as tonalidades laranja e vermelha; uma questão de contraste com a malha. Por fim, os componentes utilizarão unhas postiças negras para ratificar a ideia de criaturas do submundo. Cores predominantes: preto, laranja e amarelo fluorescentes, e vermelho.

Grupo Performático:
“Momento Musical Randômico II: Plot Twist KPOP”

Mais um momento no qual Klaus corta a própria narrativa; esta, estimulada pelos Futuros, e oferece um Momento Musical Aleatório (será que é tão aleatório assim?). Dessa vez, ele traz uma canção do cantor sul coreano K.Will, intitulada Please don’t. Por que não trazer a febre do KPOP para o Concurso, não é mesmo? Para quem viu o vídeo (os não preguiçosos), disponibilizado no Argumento, percebeu que o clipe da música contém um plot twist (reviravolta, virada, Revirão, o não esperado) bem realizado. Por quase toda exibição, o enredo faz crer que um dos personagens está com ciúmes de um casal, porque a mulher que ele gosta vai se casar com outro, mas, no final, eis que veio a revelação: ele não queria a mulher, mas, sim, o cara. Ora, um amor platônico gay, que fofo! (ironia detected). Bem, como isso será realizado? Teremos um tripé, de aproximadamente quatro metros de altura, adornado com significantes de palácios tradicionais sul coreanos e ideogramas (que simbolizam a palavra sexo) da língua nativa. No topo, o público verá o desenvolvimento de parte da narrativa, mesclando elementos do clipe com a história de Klaus. Um casamento, mas não um casamento convencional. No lugar do padre, teremos Arlequina (de posse de água benta); no lugar da tradicional cruz, uma cruz invertida. A encenação fará com que a audiência ache que o integrante, representando nosso protagonista, está desejando a noiva, porém, com o desenrolar da cena, logo perceberá que ele está afim mesmo é do cara. Haverá um beijo entre eles. Já a noiva será jogada da plataforma e cairá nos “braços” de homens negros e gordos que irão “devorá-la”. A lógica do cadelão! CADELÃO, CADELÃO, CADELÃO! Esta parte é inspirada no filme “Bonitinha, mas Ordinária”, estrelado por Lucélia Santos e baseado na obra homônima de Nelson Rodrigues. Por conta desta referência, a base do Tripé será a réplica de um ferro velho.



Ala 10:
“Monforte: tesão inibido, altruísmo assumido”

De forma sarcástica, Klaus defende a tese que o vitimismo, o coitadismo e, como consequência, o seu pagamento direto, isto é, o altruísmo, são cortinas de fumaça que visam esconder aquilo que realmente interessa para o entendimento desta espécie: o paradigma sexual. Por isso, em seu delírio, ele traz para cena, nas Masmorras de Filomena, a emblemática personagem de Eça de Queiroz, Maria Monforte, do clássico Os Maias. Ela serve como um “mestre de cerimônias” deste Setor, afinal só havia se aliado à Igreja e demonstrado empatia com os pobres de Lisboa, porque inibia sua tensão sexual por um dos amigos de seu marido, o italiano Tancredo. Após, finalmente, foder com ele, todo esse conjunto de sintomas desapareceu. Esta Ala será teatralizada. Haverá uma integrante, de vestido preto e uma rosa vermelha na cabeça, representando Monforte; um padre; e componentes, com roupas sujas, rasgadas; representando os pobres de Lisboa do século XIX. Interação entres estes três atores. Ela distribuirá comidas e agasalhos para os deserdados. Curioso que, séculos depois, Madonna iria lucrar com esta dualidade sexo x religião. Custo de oportunidade, bitch. Cores predominantes: preto, cinza, detalhes em vermelho.

Vídeo[15]:




Ala 11 – BATERIA:

O imaginário não passa de miragens de engano. O pleonasmo, aqui, é de propósito para reforçar o embuste mental, criado por Klaus. Com consciência, sabia o que estava fazendo. Ao inventar uma justificativa, amparada na temática da vingança (Revenga de System of a Down), que servisse de pilar de sustentação para a ação de sua irmã; o rapaz denuncia o modo de operação do Ocidente, que tem como sintoma fundamental ratificar a ideia de que um ato, que quebre a sintonia (os paradigmas, aquilo que une) de uma sociedade (ou de um grupo), deva estar submetido àquela lei Física da ação e reação: menina abusada sexualmente x menina assassina. Uma coisa é em decorrência da outra. Fica mais fácil entender este conceito ao analisarmos a adaptação da Netflix para a animação japonesa Death Note. Quem tem conhecimento da obra, sabe, perfeitamente, que Light Yagami usa o caderno da morte para “matar seu tédio”; um rapaz extremamente inteligente que não via sentido naquela relação com amigos de escola e professores, nada daquilo atiçava sua adrenalina. O caderno, sim. O mesmo vale para o shinigami (Ryuk) que, também, sentia-se entediado em seu mundo e perde seu caderno de propósito: só queria ver o circo pegar fogo. Os seres humanos são interessantes. É um mero espectador. O trailer da Netflix mudou este conceito. Light é um jovem que sofre bullying, apanha de colegas e não aguenta ver uma moça ser molestada por rapazes. Reparem: a escola da justificativa. O shinigami aparece e começa a sugestioná-lo como se fosse um destes demônios católicos. O ‘mal’ vem de fora. O velho problema da projeção do Ocidente. Claro que isso não é por acaso, é fruto da mistura, pouco proveitosa, das baboseiras judaicas cristãs. A temática da culpa é uma máquina de lucro, o algoritmo está claro. Ora, Klaus vem de uma família com excelente condição financeira, sua irmã nunca fora abusada sexualmente pelo seu pai. Fez o que fez para... Matar o tédio! E ponto. Bem, a fantasia da bateria será constituída de sandálias, calça jeans (rasgada e suja), jaqueta jeans (igualmente rasgada e suja), cordões falsificados de ouro e prata, óculos de Sol (uma das lentes estará quebrada), peruca black power, e um costeiro, representando a boa e velha cana-caiana, simbolizando a aguardente. Cores predominantes: marrom, preto, azul, cinza.

Ala 12 – PASSISTAS:
GANG BANG: as ‘primas’, o cafetão; uma dose de conhaque de alcatrão”

Se a Ala anterior foi inspirada na música “Deixa ela Dançar”, da banda Macumbia, a dos Passistas mistura o conceito anterior com a história de vida (não integralmente, atenção) de Bruna Surfistinha. Então, a partir do delírio de Klaus, V., após ser abusada sexualmente por seu pai, foge de casa e se abriga em um puteiro, de nome “Pau não Cessa”, administrado pelo cafetão “Olho de Vidro”. A moça teve que aprender a lidar com esta nova realidade e, também, fazer política com as “primas”. Uma tarefa não tão fácil, não à toa a “caspa do diabo” foi sua companheira de percurso. O ‘entra e sai’ diário foi gerando um sentimento de repulsa para com os homens e este ódio acumulado lhe serviu como energia criadora, que será demonstrada na Alegoria a seguir. As passistas representarão as “primas” (algumas estarão em cima de pequenos tripés – seis no total –, simbolizando pole dance. Irão oferecer “uma dose de conhaque de alcatrão” – simbólico, claro –  para o público. Escolhi esta bebida por estar relacionada com aumento da libido, potência sexual dos machos). Os passistas irão representar o cafetão “Olho de Vidro”. Entre eles, ainda poderemos ver os cúmplices de V., Pica Pau e Pernalonga. Dois componentes estarão vestidos destes personagens. Para finalizar, mais três componentes, de posse de patinetes, representarão um dos alicerces de V.: “a caspa do diabo”, nome popular para cocaína. A indumentária lembrará a de um diabo (ohhh!!), só que com vários pontos brancos por toda malha. Percorrendo a Ala, eles usarão uma espécie de “lança pó” (giz branco), que será jogado nos integrantes. Cores predominantes: vermelho, rosa, roxo, branco e preto.








“Dona Beija: a devoradora de machos sob as bênçãos do Nióbio”
Significado: Lembrando que as Alas que antecedem esta Alegoria se passam nas Masmorras de Filomena, ou seja, estão abaixo do nível do mar. Logo, nas laterais de todas as Alas (exceto a que reproduz o Momento Musical Randômico), haverá pilares de sustentação e lamparinas (ambos típicos de Minas de exploração de minérios). Recado dado, vamos seguir adiante. Ficção, os diversos caminhos da mente de nosso protagonista. A irmã de Klaus desenvolveu uma ojeriza tão grande em relação aos homens, em função de sua experiência pessoal familiar + experiência no puteiro “Pau não Cessa”, que esta energia se acumulou e, diante de tal nível de concentração, serviu como força criadora; transmutação: eis o surgimento de Dona Beija, a devoradora de machos. A Terceira Alegoria, portanto, apresenta um panorama do chamado Reino de Araxá, onde ela e suas asseclas humilham e sodomizam os homens até não poder mais. Sobremesa? Que nada: ratos de laboratório. Fiquem de “quatro”, porque o cintaralho vai entrar! A glória do triângulo.


Descrição: Esta Alegoria será composta por dois pavimentos. No primeiro, teremos um bando de homens acorrentados, usando terno e um adereço que lembrará o formato da cabeça do personagem da Disney, Pateta. Ora, nada mais do que a representação dos Patetas do Nióbio. Uma transa interessante, não concordam? Por isso, que cristais (réplicas, claro) deste material estarão colados na roupa. Sabe como é, né? Há políticos por aí que estão, simplesmente, reinventando a roda. É um mico atrás do outro. O show é porque não estavam recebendo $$ com a exploração deste minério. Só nas mãos dos Moreira Salles? Não pode, concordam? Para quem não sabe, o município de Araxá tem uma das maiores jazidas de nióbio do planeta, esse é o motivo de ser citado no enredo. Segundo pavimento. Na parte traseira, num ponto alto, o público verá um trono para Dona Beija. Acima, um triângulo, iluminado por led, simbolizando o órgão genital feminino. Ao lado esquerdo e direito do trono, seis cápsulas de acrílico (três para cada lado), recheados de machos. Os “maridos” de Beija. Ela devora, joga fora; devora, joga fora. Um Ritual Almodóvar. No meio da Alegoria, uma mesa, um grande banquete. Convidados? Homens de todos os tipos. As asseclas de Beija irão oferecer iguarias para os portadores de pênis só que elas estarão contaminadas com veneno (o público será avisado sobre isso) tal como no clipe de Lady Gaga, “Telephone”: ein, zwei, drei. Ratinhos mortos, tadinhos. Em seguida, como forma de comemoração, elas irão simular, com a ajuda de duchas higiênicas, que estão urinando nos Patetas do Nióbio, chuva dourada, baby. Tem gente que curte, ué? Qual é o problema? Tesão não se discute. E, para finalizar, nas laterais, parte superior, homens sarados amarrados em uma geringonça giratória (quatro para cada lado), usando, apenas, um tapa-sexo; participarão da encenação final: vítimas do cintaralho.

Vídeo[16]:
Setor 4
Pagode Russo: a Sinfonia da Dívida e a incompreensão provisória do valor da Mistura
Quarto Setor apresenta o estopim de mudança de postura de nosso protagonista. Sua mente começa, pouco a pouco, a ceder à pressão dos Futuros. A Sinfonia da Dívida começa a incomodá-lo sobremaneira e, assim, a temática do duplo passa a se manifestar. Depois do Reino de Araxá, o semiárido nordestino, infectado por engrenagens que apontam para o desejo radical de secreção; nada mais do que a Singularidade Tecnológica. Para Klaus, era isso que importava, mais nada. Luiz Gonzaga não é convocado à toa: aprenda a transar, meu filho! Dissolva sua personalidade.

No meu caso,
Eu dou as boas-vindas a nossos
Novos Senhores Robóticos
Ken Jennings

Ala 13:
“Velozes e Furiosos: ora, só para comer uma boceta? ”

O valor mercadológico da dívida. No primeiro momento, Klaus enxerga um semiárido nordestino mecanizado, sintoma de seu mergulho na temática da Singularidade Tecnológica. A tensão do desejo, ao qual não há como escapar. Ninguém escapa, aliás. Deem uma olhada nos noticiários: vários padres, ultimamente, estão reclamando de depressão e síndrome do pânico. Tadinhos. Cadê o deus que é resposta para tudo? Que aplaca toda e qualquer dor? O que houve? Está falhando no XXI? O consolo é a Indústria Farmacêutica? Que coisa... Os Futuros fazem uma citação da música de Criolo –  “depressão é a peste entre os meus. Plano perfeito para vender mais carros seus” –, não à toa, um indício de sua real intenção, não percebida, ainda, pelo protagonista. Todavia, sua mente trabalha e oferece um conjunto de visões que aponta para o caminho, para o desfecho sideral. Preste atenção, macho! Os mais modernos carros, das marcas mais famosas, surgem ante sua retina. As putas, de sempre, são convocadas. A boceta é o fim, afinal. Tudo se resume à questão da foda! Com vocês, o Salão do Automóvel da Caatinga RetroFuturista. Reúna, meu chapa, as sete rapaduras do Calango (referência as sete esferas do dragão de Dragon Ball. Após reuni-las, um desejo é concedido pelo dragão Shenlong). Quem sabe a entidade “o Jegue que derrubou a águia” ou o “jegue que tudo sabe” não lhe concede uma destas máquinas que nada mais são do que extensões de nosso sistema de locomoção? Para representar este conjunto de ideias, teremos a mescla de quatro automóveis muito valiosos (Lamborghini Aventador Roadster, Aston Martin Vanquish, Ferrari FF e Rolls Royce Wraith) com significantes do semiárido com a diferença que tais significantes estarão mecanizados: cactos, bois, jegues, calangos. Até mesmo as putas, que provocarão o público (que pena, a maioria não pode ter acesso a estes bens de produção. É por aí que elas irão provocá-lo), terão partes de corpo “robotizadas”, nada mais que uma bela maquiagem. Cores predominantes: vermelho, cinza metálico, branco metálico, roxo e verde.

Ala 14:
Plano Perfeito: sinta-se endividado. O gozo da Máquina de Lucro”

O sentimento de dívida: você, Klaus, tem participação na morte de seus pais. As “vozes” de sua mente são implacáveis, não param de repetir este mantra. Percebam que este sentimento de dívida impulsiona sua capacidade criativa. E não há criação sem gasto. O jogo é esse. Não gostou? Que pena. Será o banquete da Indústria Farmacêutica. Não tem saída, nem na Morte, que Não Há. E até para enterrar o desgraçado há que se gastar uma boa quantia. Burocracia por todos os lados. Até depois de morto, tu és uma máquina de prejuízo (e lucro). Do chão, castigado pelo Sol inclemente, surgem protótipos da Velha Usurária, personagem de “Crime e Castigo” (Dostoievski), a Senhoria que vivia para cobrar a dívida de Raskolnikov, uma perseguição angustiante, a chamada dança paranoica. Ora, se esta imagem faz parte da ejaculada do delírio de Klaus, concluímos que ele havia lido essa obra do escritor russo. A Rússia não está presente em vão. Quem já teve acesso aos seus mais proeminentes escritores (Gogol, Tchekhov, Tolstói) sabe da rivalidade entre russos e alemães, por esta razão nosso protagonista, descendente de alemão, traz esta tensão para a cena. É aquela velha história: quem fode quem? A irritação há, porque não há encaixe. Desista, meu caro, não há mesmo. O alicerce fundamental de “Crime e Castigo” é o excesso de colagem que resulta, quase sempre, em psicose. Ala, composta por mulheres que representarão a Senhoria, a Velha Usurária, e estarão usando um vestido comprido na tonalidade verde-musgo, um casaco de lã na tonalidade roxa e cachecol, adornado com o dinheiro russo: o rublo. Entre elas, cactos metalizados, estes seguem “dando pinta” no Setor. Acima, drones, com uma potente iluminação, simbolizando o Sol Inclemente. Cores predominantes: verde-musgo e roxo.

Ala 15:
“Nas mãos de Gonzagão: um olhar não engessado

Tamanha pressão, fuga como alternativa. Seria mais fácil se Klaus enfrentasse logo suas “vozes”, pouparia trabalho para este escriba. Mas há que se respeitar o tempo da patuleia. Não é isso que os politicamente corretos dizem? Para fugir da Velha Usurária da Caatinga, ele pega carona com um carcará robótico. Não é o da Bethânia, felizmente. Guia a ave para o alto, para além. No instante em que achou que estava seguro, abandona o animal e cai direto e reto nas mãos de Gonzagão que,  sem pestanejar, diz: “cão dos infernos, ainda não percebeu o valor da Mistura? Eis o Pagode Russo”. União entre os cangaceiros e os mafiosos; cachaça e vodka; dançarinas do frevo + acrobacias dos cossacos; calor e frio. Reparem: uma repetição do modelo de operação dos retrovírus. Taxa de transferência 99,9% (não é 100%, porque o Nirvana não existe). Para representar este conjunto de ideias, teremos um tripé composto do carcará robótico e, abaixo, as mãos de Gonzagão. Na teatralização, o componente que interpretará Klaus, irá aparecer, primeiramente, nas garras da grande ave para, em seguida, cair em uma das mãos do Rei do Baião. Quando isso acontecer, subitamente, aparecerão integrantes, representando cangaceiros e mafiosos russos. Em suas mãos, cachaça e vodka. Troca-troca geral e irrestrito. Cores predominantes: preto, marrom e vermelho.

Vídeo[17]:

Ala 16:
Tarás Bulba e as dançarinas de Frevo”

Esta Ala é uma continuação da anterior. Tarás Bulba é o personagem principal da obra homônima do escritor russo Nikolai Gógol que conta um pouco sobre a ideologia dos bravos cossacos, descritos como “alegres, violentos, desregrados, corajosos, bêbados, sentimentais, anárquicos e implacáveis”. A presença deles neste enredo se justifica a partir da música “Pagode Russo”, de Luiz Gonzaga, quando este havia estabelecido uma relação entre cossacos e dançarinos do frevo, porque há uma semelhança entre eles no que se refere aos passos de dança e saltos malabarísticos. Será uma ala coreografada e contará com 80 componentes. Os homens (40 ao todo) interpretarão os cossacos e as mulheres interpretarão dançarinas de frevo. Importante salientar que os integrantes desta ala não são leigos, pertencem a companhias de dança e foram contratados especificamente para a execução deste ato, afinal não é todo mundo que dança frevo, nem sabe executar os passos dos cossacos, não é mesmo? A indumentária dos homens será inspirada na dos cossacos que aparecem no clipe “Black or White” (a partir de 3:47), de Michael Jackson. Logo, usarão uma boina preta, calça comprida vermelha (com um lenço preto amarrado na região da cintura), bota preta, camisa comprida branca e uma jaqueta preta. Já as mulheres estarão trajadas com uma roupa típica de dançarina de frevo: saia com tiras coloridas (predominância do vermelho, azul e amarelo), um ‘top’ que mescla as cores vermelho e amarelo, uma tiara e, claro, um guarda-chuva em verde, vermelho, azul e amarelo. Cores predominantes: vermelho, preto, azul e amarelo.

“Boate Cossaco: oposições e transcriptase reversa 
Significado: Ser ou não ser o porta-voz da boa nova? Quem topa? Certamente, pouca gente. Se Klaus está interessado em ingressar na Fraternidade The Skulls & Bones e gozar dos benefícios da Singularidade Tecnológica, os Futuros (e também Arlequina) esperam que ele reúna os cacos de sua mente, os estilhaços do que restou de sua humanidade, visando eliminá-la (claro) para, em seguida, secretar uma nova máquina revirante (espiritual ou fantasma). E isso em nada tem a ver com predestinação. Não se trata de um evento messiânico (isso é coisa de judeu). Apenas, o simples acaso. Bem verdade que o trauma pode ter servido como gatilho, a importância da energia acumulada. Para isso, sempre é necessário “botar Fé”, que antecede a Razão. Fé e Razão não são oposições. Não é um exercício fácil, porque além de reconhecer os padrões comportamentais os quais o constituem (processo endoscópico), ele precisa quebrá-los, ou seja, dissolver o seu sistema identitário, que culmina no ideológico. Tem gente que realmente acha que é homem, mulher, viado...  É um esforço de afirmação incrível (e boboca). Até morrem por isso: “Sou gay, ui! ”.  É de morrer de rir. Para o neurocientista do MIT, Sebastian Seung, a identidade não está em nossos genes, mas nas conexões entre nossas células cerebrais. A partir desta conceituação, a quarta alegoria traz para Avenida a Boate Cossaco, tendo como referência a música Pagode Russo. O tom é de transa, lisérgico. Aqui, os retrovírus (que, por meio da “transcriptase reversa, sintetizam DNA a partir do seu RNA e fazem a ligação deste DNA com o DNA da célula hospedeira”. Esta citação é retirada de um verbete da Wikipedia) são muito bem-vindos. Diria que estão à frente de seu tempo e a cultura fala tão mal deles. Tadinhos. Dedico Pagode Russo aos retrovírus. Um bride!

Descrição: Na parte frontal, será possível ver um letreiro luminoso com o dizer: “Boate Cossaco. Templo da Mistura”. Toda a base da Alegoria será representada por elementos cenográficos (esculturas 3D) que irão fazer referência aos retrovírus. O poder da metáfora, fusão de códigos genéticos díspares. Para ratificar este conceito, seis telões de led (formato retangular), que mostrarão o modo de funcionamento da transcriptase reversa, serão movimentados por esta área da Carro por um complexo sistema de roldanas. Entre estas estruturas, mulheres, de posse de uma roupa futurista e olhar indiferente, brindam, com vodka e cachaça, os agentes da Mistura. Do chão, partirão oito torres, de aproximadamente oito metros de altura, compostas por partes menores giratórias (como aquelas máquinas típicas de Cassinos) e cada parte, formando um significante, cantado e decantado pela música Pagode Russo. No topo destas Torres, teremos componentes flutuando: strike a pose! Entre eles, haverá fios que “trarão” adereços variados para que eles possam compor “looks” híbridos. Evidentemente, de acordo com a estética e proposta do Setor. E, para finalizar, na parte traseira (nem por isso menos importantes, concordam?), teremos grandes blocos verticais, preenchidos com telões de led, que irão representar o Kremlin (Rússia). Como curiosidade, estarão decoradas com caju e cajá para enfatizar o caráter de transa, proposto por Gonzagão.





Sashay Away: “Adeus, vai-te embora, ninguém te adora”
O ódio como elemento criativo. A estratégia dos Futuros. Quinto Setor quebra com a escala de padrões, arquitetada por parte da mente de nosso protagonista, definida como Klaus. Até, então, era ele quem produzia as ejaculadas do delírio, mas a última visagem, demonstrada no Setor anterior, deu a deixa para a interferência dos Futuros (as resistências de seu hospedeiro estavam caindo) que tomam, momentaneamente, as rédeas da situação e lhe oferecem uma visão, não bem aceita por Klaus. Sim, ele não gostou nada do seu novo papel de “drag” e de ser um mero participante do reality show RuPaul’s Drag Race. Lutará por sua sobrevivência e se falhar: Sashay Away.

A humanidade produz próteses
Para recuperar este Primário de merda
Que conseguiu herdar da tal Natureza
(Natureza do Vínculo, MDMagno)

Ala 17:
“Como se monta uma ‘drag queen’? Nasce Suzy Raio Laser

Aquários da Criação. Útero artificial. Renascimento de Klaus. A nova visão, proposta pelos Futuros, aponta para o nascimento de um novo ser. Por que não uma ‘drag’? Não há criação sem sustentar as oposições ao mesmo tempo ou, pelo menos, alterná-las conforme a situação, o gosto. Isso, aliás, é um dos motivos da defasagem de nossa carcaça biológica, esta não suporta mais a quantidade de programas, gerados por nossa mente que nem mais nossa é, não é mesmo? É a Rede. O músico Rogério Skylab fala sobre o ato de criação dos travestis, mas que serve para nosso caso específico. Disse ele quando esteve, certa vez, no Programa Jô Soares, TVGlobo: “eu acho que esta ideia do travesti construir o próprio corpo, construir uma biologia, uma nova biologia, é uma coisa espetacular e é isso que é contemporâneo. Não é só a construção da ética da ideia, não, é a construção do próprio corpo. Isso, para mim, é a coisa mais contemporânea que existe”. A intenção dos Futuros é clara: uma dose de Engenharia Social para que o rapaz possa estar apto a produzir o evento singular, descrito no Argumento. Para representar este conjunto de ideias, teremos um elemento cenográfico, representando um útero artificial. O público verá um componente dentro desta estrutura. Em certo momento, ele será expelido e estará usando, apenas, uma malha branca sobre o corpo. Em seguida, será montado, transformado na “drag” Suzy Raio Laser pelas little dolls, uma espécie de inteligência artificial. Menininhas suculentas, diria. Após a transformação, será recepcionada por um integrante, representando Ney Matogrosso; artista escolhido para passar a ideia do andrógino (citação à exposição do carnavalesco João 30, ver Argumento). Viado que não se mete em puteiro é, apenas, uma bicha sintomática.Não serve para muita coisa. Concentração, meu chapa. Como Suzy é patrocinada pela Indústria do Açúcar, as “dolls” provocarão (sexualmente) e lançarão bombons para o público. Cores predominantes:preto, rosa, roxo e branco furta-cor.

Ala 18:
“Alaska ThunderFuck: ‘chupo’ o cano grosso de uma arma”

Armas. Extensões de meu punho. E, em alguns casos, extensões de piroca, se esta for considerada como uma ponte para doenças sexualmente transmissíveis. Os caminhos para a Morte são variados. Já escolheu o seu? Ainda não? Ora, ele, o caminho, está sendo programado diariamente. Novo dia, mais uma linha de código é escrita. Não percebeu? Que pena. O medo e o pânico, a eficiência da Indústria da Bala, patrocinadora de Alaska. A questão do armamento civil está em voga não só no Brasil como em outros países. Entre em pânico, compre uma arma, cadê o sorriso? Não hesite em atirar, alguém precisa controlar a proliferação de zumbis. Mas o que é isso, Alaska? Você está considerando os espectadores como zumbis? Que adrenalina é essa? Como na Ala anterior, as litlle dolls montarão o integrante que representará Alaska: peruca loira, top, saia (bem curta) e uma bota de cano longo. Todos estes elementos, adornados por balas, cápsulas e “estrelas de Davi”. Nossas sedutoras menininhas apontarão suas armas para o público. Calibração, programação: eliminar zumbis. Que viagem é essa? É ácido? Cores predominantes: amarelo ovo, rosa e roxo.

Ala 19:
“Magaly Penélope: a vaca leiteira da Friboi”

Lembrando que os “aquários”, produtores de “drags” estarão presentes em todas as Alas deste Setor. Aqui, o integrante sairá igualmente do aquário. Será, claro, recepcionado pelas little dolls, só que, nesta oportunidade, estarão travestidas de PatricinhAs (quem pega esta referência?). A função será a mesma: transformar um “cabra macho” em Magaly Penélope, a vaca leiteira da Friboi. Esta empresa patrocina tudo, TU-DO! Um espanto. A indumentária mesclará significantes deste animal com notas de cem reais e, para finalizar, cortes de picanha e filé mignon (elementos cenográficos) por todo o corpo. Endiabrada, Magaly distribuirá notas de 50 e 100 reais (notas verdadeiras, hein? Vamos supor que o patrono desta Agremiação é bastante generoso) para o público por toda Avenida. Quem quer dinheiro? Todo mundo? Ok, mas olha, é um dinheiro proveniente de leite batizado com moloko vellocet. Ainda afim? De um dos Camarotes da Avenida, uma socialite, após “tocar na caspa do diabo” olha para esta Ala e observa uns gorilas, dando pinta. Nossa! Ramos? Cores predominantes: branco, preto, marrom e verde.

“Regine de Mônaco: Ritaleena

Não consegue dormir? Tome uma pílula. Não consegue foder? Tome uma pílula. Não consegue estudar para Faculdade? Tome uma pílula. Não consegue emagrecer? Tome uma pílula. Não consegue trabalhar? Tome uma pílula. Não consegue escrever? Tome uma pílula. Não consegue ganhar dinheiro? Tome uma pílula. Não consegue fazer amigos? Tome uma pílula. Não consegue ser o Cleiton Almeida? Tome uma pílula. Não consegue ser a Susana Soberana? Tome uma pílula. Não consegue ficar forte? Tome uma pílula. Não consegue ganhar um Concurso de Enredos? Tome uma pílula. Não consegue conversar? Tome uma pílula. Não consegue ser feliz? Tome uma pílula. Não consegue ser triste? Tome uma pílula. Não consegue se matar? Tome uma pílula. Não consegue entender os enredos do Akagi? Tome uma pílula. Não consegue se livrar da família? Tome uma pílula. Não consegue fazer Análise? Tome uma pílula. Não consegue dar o cu? Tome uma pílula. A boceta? Tome uma pílula. Não consegue ir a um puteiro? Tome uma pílula. Não tem nada para comer numa chibata? Tome uma pílula. Não consegue ser “bicho solto”? Tome uma pílula. Sim, meus bons, nossa querida Regine de Mônaco é patrocinada pela Indústria Farmacêutica. Para cada “problema” (quebra de simetria), uma pílula. Por conta disso, as little dolls estarão vestidas de enfermeiras e distribuirão pílulas e comprimidos para a audiência. Serão muito atenciosas e simpáticas, como vocês sabem, o amor é a melhor forma de se hackear a mente alheia. Cuidado com o amor, pois ele também (e sobretudo) MATA. Já com relação à integrante que representará Regine, a indumentária faz um trocadilho entre Rita Lee e o medicamento de tarja preta Ritalina, este muito usado por estudantes, de forma descontrolada, para adquirir um aumento de capacidade de concentração. Cores predominantes: roxo, rosa e vermelho.

Vídeo[18]:
Lute por sua sobrevivência”
Significado: Show. Reality Show. The time has come. Formatado, Klaus teve sua personalidade hegemônica modificada a partir desta nova visagem, proposta pelos Futuros. Um novo corpo, um novo nome. O nascimento de Suzy Raio Laser. Bate cabelo, bate! Logo percebe que se tornara mais um participante do programa da famosa “drag queen” americana, RuPaul. A princípio, não gosta nem um pouco desta experiência. Sente-se como se estivesse em uma linha de montagem de automotores. Às vezes, penso, observando algumas de suas falas, que ele possui certas características de um eleitor do Bolsonaro. O que vocês acham? Humberto Mansur não iria gostar. Que coisa. Bem, vamos seguir com esta badaroska. Sentiu um desconforto que logo teve que ser superado. A voz sarcástica, que podemos inferir se tratar de RuPaul, não deixa margem para dúvidas. As regras são claras. Cada lady, patrocinada por uma indústria, terá que fazer uma apresentação (nos moldes “lip sync”) ao som da música Money, Money, Money, do grupo Abba. A pior apresentação recebe como prêmio (modo irônico ativado) um sonoro Sashay Away e a lady, responsável por ela, é sumariamente eliminada. Klaus escuta, ainda, o conselho de uma inteligência artificial: lute por sua sobrevivência! Os Futuros não puderam acompanhar sua apresentação, porque Klaus havia cortado a conexão entre eles, mas não deixou de contar o resultado: foi eliminado. Será que esta eliminação foi de propósito? Não passou de um estratagema? Bem, como curiosidade, temos esta frase “Adeus, vai-te embora. Ninguém te adora” que, na verdade, foi a maneira como uma TV portuguesa traduziu o famoso Sashay Away. Gostei desta tradução, pois ela se encaixa para este momento do enredo.

Vídeo[19]:

Descrição: A estrutura deste Carro é baseada em um dos cenários do filme Inteligência Artificial (2001), de Steven Spielberg, que pode ser observado na imagem acima. Gosto deste colorido, apresentado e desta rodovia em direção aquela escultura de um ser humano andrógino com a boca aberta. De cara, digo que esta escultura será reproduzida, só que ao invés de uma rodovia, repleta de automóveis, teremos uma passarela de moda, por onde nossas quatro Rainhas irão desfilar e farão de tudo para convencer RuPaul e a audiência que merecem permanecer no “reality”. Apenas uma será eliminada. Pois é, sobrou para Suzy Raio Laser. Ainda bem. Ao lado da passarela, um espaço reservado para as torcidas; bastões de led e óculos high-tech como adereços. Roupa desta patota? Croupier (referência à música “Money, Money, Money”). Na parte traseira da Alegoria, atrás deste rosto citado, haverá os aquários, criadores de “drags”. Na parte frontal, haverá três tronos giratórios, sendo que o do meio é o maior e destinado a RuPaul. Para ocupar os outros dois, teremos duas convidadas especiais, “drags” da velha e nova geração. Seus nomes? Silvetty Montilla (lado direito) e Pablo Vittar (lado esquerdo). Nas laterais do Carro, máquinas caça-níquel. As quatro “ladys” irão se apresentar nesta passarela e a indumentária de cada uma segue o padrão, mostrado nas Alas. Profusão de close, purpurina e glitter. Como Suzy perde a competição, o componente, que irá representá-la, será tragado por um dispositivo próximo do Trono de RuPaul.

Setor 6
Aniquilação: um vaso sem interior, nem exterior.
E, finalmente, eis o Último Setor. Renegado por RuPaul e mais uma vez intensamente provocado pelos Futuros, Klaus muda de postura, fagocita estas “vozes” acusatórias (mas, também, analíticas, já que tirou o rapaz da zona de conforto), permitindo o surgimento de um novo ser: Coringa. Credito este feito fantástico, metafísico, a partir do momento que nosso protagonista enfiou a pica na boceta da porta-bandeira Arlequina. A mudança começou ali. Como apronta esta mulher, não? Será que tudo isso foi uma maneira particular de Akagi contar uma história de relacionamento amoroso? Coringa e Arlequina juntos? União de forças para secretar uma nova máquina revirante (máquina espiritual ou fantasma)? Quem sabe? A interpretação é livre. Importante mesmo é a emergência singular a partir desta transa. E você? Já produziu sua Singularidade? Estou aguardando.

Também tive de conhecer
O que a vida tem de melhor
Quando dois corpos gozam no ardor
Unindo-se para sem fim renascer
A Possibilidade de uma Ilha, Michel Houellebecq
Grupo Performático:
“O mundo está girando, baby, fora de controle

Após ser eliminado por RuPaul, os Futuros, mais uma vez, atacam Klaus: perdedor, assassino, fracassado, manipulador. A estratégia final. Porém, ao invés de se importar com tais acusações, muda de postura. Cita duas músicas do Linkin Park – Numb Breaking the habit –, e resolve “tacar um foda-se” para qualquer tipo de voz recriminatória. Ao contrário, num processo metafísico, fagocita estas “vozes” e, em função da energia acumulada, ele se transforma em uma nova entidade: Coringa. O processo de cura é particular e que cada um descubra o próprio caminho. A “drag queen” já não é mais referência, serve para pouca coisa. Se antes era considerada predecessora da Singularidade Tecnológica, agora, também está ultrapassada. Para representar este conjunto de ideias, teremos, no centro da Ala, um púlpito, onde estará o componente representando Suzy Raio Laser. Ao seu redor, seres miméticos, dentro de estruturas tubulares vazadas (muita fumaça e lasers), representando o mundo fora de controle, sem direção, nem eira, nem beira. O integrante principal rasga pouco a pouco sua roupa de “drag” (já que este ser não tem mais nenhuma utilidade) para se transformar na entidade Coringa. Esta teatralização é baseada na performance de Madonna para música Impressive Instant, da turnê Drowned World Tour, de 2001. Cores predominantes: preto, cinza metálico, roxo, verde e vermelho.

Vídeo[20]:
Ala 21:
“Os androides nº 17 e nº 18. No fim, estilo é fundamental

Antes de eliminar os Antigos, a mente de Klaus traz lembranças de personagens (cinema e animação japonesa, aqueles que ele teve conhecimento de acordo com seu histórico de vida) que quase (veja bem, quase) exterminaram com a espécie humana. A paranoia dos autores (receio e regressão dos executivos) foi o principal motivo para este desejo não ter sido aplicado de forma assertiva e definitiva. A lembrança não é à toa. Nesta oportunidade, Klaus não podia fraquejar. Não se transformou em Coringa por nada, não é mesmo? Bem, os androides 17 e 18 são dois personagens da animação japonesa Dragon Ball Z. Surgiram, pela primeira vez, na Saga Cell. Foram construídos pelo cientista Maki Gero, um antigo membro da organização criminosa Patrulha Vermelha, com a finalidade de assassinarem o protagonista, Goku. Importante dizer que esta Saga trabalha com linhas temporais, então, os androides, citados, são os do futuro (quando Goku e vários guerreiros Z foram assassinados), em função de sua agressividade e disposição de eliminar os humanos. Os do presente (refiro-me à linha temporal) são perigosos, mas sem esta disposição para erradicação da patota. Cores predominantes: azul jeans, preto e laranja.

Ala 22:
“Majin Boo Whey Protein

Ainda na seara Dragon Ball Z, temos o demônio espacial Boo que, inicialmente, era controlado pelo Mago Babidi. Mas, como todos vocês sabem, controle é ilusão (até Madonna canta isso, então, por favor, né?). Logo, Babidi foi morto por Boo, ainda em sua versão gorda (amante de doces, inclusive transformava seus inimigos em chocolates. Coitados dos gordinhos, zoados em tudo que é canto). Este demônio tem a capacidade de se transformar; na verdade, chamaria de capacidade de refino, pois, a cada transformação, ele fica mais magro, sarado; uma estética mais limpa. Engraçado, quando este personagem surgiu no mundo das animações, Renato Lage fazia aquelas diabruras na Mocidade Independente. Campo morfogenético? Quem sabe? Bem, a segunda versão de Boo (magra e sarada) foi a que teve disposição de eliminar a espécie humana. Quase conseguiu, mas sempre sobra um ou outro para contar história, sem contar que não podemos levar Dragon Ball muito a sério em função da existência das esferas do dragão; sempre quando dá uma merda, o povo é ressuscitado. Assim não vale, né? Cores predominantes: branco e rosa.

Ala 23:
Agente Smith: a entropia só aumenta”

As irmãs Wachowski fizeram um bom trabalho com a trilogia Matrix. Sobretudo, porque é uma obra que tem conceito. A conceituação de algo é muito importante. Agente Smith era um programa do mundo das máquinas, responsável por eliminar os humanos que despertaram da Matrix. Só que aconteceu uma coisa curiosa com ele no fim do primeiro filme. Após uma intensa batalha, ele achou que, finalmente, tinha derrotado o “humano escolhido” (Ui!), apelidado de Neo (Keanu Reeves), mas, não, não derrotou. Ao contrário, por via de um evento metafísico, extraordinário, Neo matou o agente, entrando, literalmente, em seu corpo, explodindo-o. Smith morto? Ou apagado (em se tratando de “programa” ficar melhor falar assim, né?) Não, também não. Epa, estou me sentido a Teresa May (quem pega esta referência?). Ao contrário, aconteceu alguma anomalia, algum balacobaco, que ele se libertou de qualquer tipo de influência, seja ela das Máquinas ou Humanos. Ganhou a liberdade. Tornou-se um programa tanático com a incrível capacidade de circular entre os dois mundos em questão. Smith queria eliminar tudo, absolutamente tudo. Desenvolveu uma raiva considerável em relação ao protagonista, justamente porque ganhou a liberdade. Ora, vocês acham que as pessoas gostam da liberdade? Não caiam nessa. “Ai, sou negro, quero ser livre! ” (citei negro, mas pode ser qualquer outra raça ou grupo social). Mentira, liberdade traz angústia e poucos conseguem viver, sustentando-a. No filme, por exemplo, Smith ficou bem puto, porque, afinal, é mais fácil ser um mero programa do mundo das máquinas. Bem, ele tentou, mas, também, falhou. Neo e as máquinas tiveram que se unir para derrotá-lo. Uma trégua, baby. Ursinhos carinhosos versão high-tech. Cores predominantes: preto e cinza metálico.


Ala 24:
“BAIANAS – coleguinhas espaciais high-profile

Num átimo de segundo, Klaus lembrou-se de dois filmes de aliens com a temática da extinção humana: Independence Day e Guerra dos Mundos. São os coleguinhas espaciais que veem até nosso “querido” planeta Terra para tê-lo com sua nova morada, mas, para isso, precisam eliminar os atuais inquilinos. Como dizem, guerra é guerra. A espécie humana que tenha condições de resistir. Tem arma ou não tem? Se não tiver, abstraia, que tal um sorvete de Nutella? Existe maneira melhor de contemplar o fim? Mas nossos amiguinhos aliens também fracassaram. Em Independence Day foram derrotados pelos americanos e, em Guerra dos Mundos, pelas (pasmem!) bactérias. As gloriosas baianas representarão aquela clássica cena de Independence quando uma nave alien destrói um arranha-céu num piscar de olhos. Desse modo, a “saia” e o corpete serão revestidos de um tipo de material espelhado para reproduzir as janelas de um grande edifício moderno. O efeito do raio será representado por fileiras de led que se estenderão por toda indumentária. No “adereço de cabeça”, uma réplica da nave, adornada com plumas cinzas e pretas, representando as nuvens carregadas que acompanhavam as aeronaves aliens. À frente desta Ala, um tripé, representando os Tripods. Cores predominantes: cinza metálico, azul fluorescente e preto.



SEXTA ALEGORIA
“O velho mundo está morto. Está na hora de criar um novo
Significado: A Sexta Alegoria retrata o evento singular, inaugurado por Coringa. Após absorver os Futuros, ele percebe que a espécie humana (mesmo a pequena, muito pequena patota que desfruta dos benefícios da Singularidade Tecnológica) não consegue mais produzir a instabilidade no Sistema Micro capaz de manter a estabilidade do Sistema Macro (lembrando que estou me baseando na tese do mangaká Shirow Masamune. Ver Justificativa), assim, decide abrir caminho para a emergência de uma nova Máquina Revirante, também, chamada de Máquina Fantasma. Masamune, no capítulo 11 de The Ghost in the Shell, diz o seguinte: “o universo gira e avança conforme o tempo atribuído a este momento. Para poder existir cada vez mais... procurando persistentemente a estabilidade. Ele se diversifica de forma complexa e, por vezes (atenção!), abandona esta complexidade. Sei que é difícil, mas não levem para o lado pessoal a atitude de Coringa. A entidade é, apenas, uma marionete do desejo da Rede: “nada é orgânico, tudo é programado”.  Bem, o que esta nova máquina revirante é, de fato, não tenho como responder. Só sei que não é feita de carbono, silício, grafeno, nióbio ou qualquer outro elemento conhecido. Arlequina sopra no meu ouvido. Diz que os novos inquilinos “são um, sendo, ao mesmo tempo, múltiplos. Nada nos pode dar uma imagem exata de sua natureza”. O que posso fazer? Vou tocar uma punheta.




Descrição: Então, a última Alegoria é composta de dois chassis. No primeiro, teremos a representação do ato Singular de Coringa. No centro do Carro, aproximadamente cinco metros de altura, uma escultura desta nova entidade, caracterizada adequadamente, estará com a cabeça e mão direita, ambas, apontadas para o Céu. De seu braço, parte um potente canhão de luz, representando os “raios da eliminação”. Ao redor, uma quantidade considerável de esqueletos (com vestimentas do dia a dia das pessoas), representando os antigos inquilinos, a espécie que não consegue mais produzir estabilidade no Sistema Macro. Será possível ver também correntes, atravessando todo este chassi: a representação dos Vetores (inspiração do anime Elfen Lied). Já o segundo chassi, teremos a fantástica “chuva dourada”, trazendo consigo as máquinas revirantes ou fantasmas. O nome fica a gosto do freguês. Haverá barras de ferro (aproximadamente dez metros de altura) que sustentarão as bolhas douradas (dezenas delas) que serão recepcionadas por um grandioso baobá metálico. O público verá dentro destas bolhas, uma luz vermelha que acende, apaga; acende, apaga. Simbologia? Há um ser vivo ali. Para finalizar, quatro pilastras irão compor o ambiente. No topo, sentido horário, Arlequina, Whis, Arlequina, Whis. Exercício de contemplação. Milk Shake para acompanhar a boa nova. Estão servidos?






Referências

Livros/ Contos/ Games/ Filmes/ Animes/ Músicas:
Seguem, abaixo, as principais:
Anna Kariênina, Liev Tolstói
A Possibilidade de uma Ilha, Michel Houellebecq
A Vênus de Kazabaika, Sacher Masoch
As Psicoses, Lacan
Clownagens, MDMagno
Como Criar uma Mente, Ray Kurzweil
Crime e Castigo, Dostoievski
Moisés e o Monoteísmo, Freud
Não há espaço para lógica em Kassel, Enrique Vila-Matas
Os Irmãos Karamazov, Dostoievski
Os Maias, Eça de Queiroz
Pedagogia Freudiana, MDMagno
Psicanálise Beija-Flor
Tarás Bulba, Gogol
The Ghost in the Shell, Shirow Masamune

Dark Souls 3, Hidetaka Myazaki
Death Stranding, Hideo Kojima
Demon’s Souls, Hidetaka Myazaki
Mortal Kombat 3
Persona 5, Atlus P. Studio
Sunset Overdrive, Insomniac Games
Uncharted 3, Naughty Dog

Bonitinha, mas ordinária, Nelson Rodrigues
Guerra dos Mundos, Steven Spielberg
Independence Day, Roland Emmerich
Inteligência Artificial, Steven Spielberg
Matrix, Irmãs Wachowski
Star Wars, George Lucas

Ajin, Naoya Tanaka
Dragon Ball Z e Super, Akira Toriyama
Elfen Lied, Genco
Jaspion
Saint Seiya, Masami Kurumada
The Skull Man, Fuji Television

Breaking the Habit, Linkin Park
Convoque seu Buda, Criolo
Deixa ela dançar, Macumbia
Duas Buchas de Cinco, Criolo
Numb, Linkin Park
Pagode Russo, Luiz Gonzaga
Please don’t, K. Will

Internet:








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