Atenção carnavalescos e presidentes de escolas de samba!

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sábado, 19 de dezembro de 2015

Os Bastidores da criação - Parte 8 – O corte mais importante

Um dos maiores desafios quando se cria alguma coisa é saber que nem sempre tudo em uma criação poderá ser executado ou concluído. Muitas vezes podemos ter ideias que são completamente inviáveis, no meu caso, eu tenho uma ideia que acho que seria muito legal, mas me custaria muito tempo para executá-la o que me trava e inviabiliza a conclusão final.
Eu não vou ainda dizer do que se trata, mas eu gosto da ideia de apresentar dois enredos em um. Apresentar um enredo dentro de outro enredo. Eu já tinha feito algo parecido em 2003 com Histórias do Ventre da Mãe África em que eu contei a história de Congo e Angola e sob pano de fundo dividi os setores em Eras que eram influenciados por Inkices. A minha ideia com Zizina tinha algo assim, mas era bem mais complexa que revelarei depois do desfile.
Mas eu resolvi que vou deixar apenas Zizina e o pano de fundo vou trazer de maneira mais suave. Eu necessitaria de muita pesquisa e a criação do enredo  para encaixar uma coisa com a outra, Madame Zizina teria que ser coerente para se encaixar com o outro lado. O resultado é que me custaria muito trabalho, se eu não estou conseguindo fazer um enredo inteiro, porque eu vou me meter em tentar fazer algo 2 em 1? O resultado seria uma catástrofe, ou eu não iria terminar nunca ou iria apresentar algo muito confuso e ruim.
É preciso saber desapegar às vezes de coisas mirabolantes, ambicionamos algo tão grandioso que embarramos na simples execução. Sem falar que nem sempre uma ideia pode dar certo, pode ser uma ideia que eu julgo que será legal, dar muito trabalho e nem causar impacto que eu imaginava, talvez até me prejudicasse...

Criação tem disso, nem tudo vai ser sucesso, muitas vezes o que mais apostamos pode dar errado, algo que não apostamos dar certo! Só Deus sabe! E faz parte!

Mas a reflexão desta postagem é simples: "Pé no chão pode ser bom!" E nem tudo criado é fácil de ser executado e muitas vezes no decorrer cortes poderão ser necessários! É preciso saber decidir e não perder tempo demais com coisas que necessariamente podem inviabilizar tudo. 

Os bastidores da criação parte 6 – Os setores

Realmente não é uma coisa fácil, dividir o enredo em capítulos e ter capítulos interessantes.
Um enredo como uma roda, dividida em algumas partes que devem ser iguais e interessantes. 
A divisão de um tema pode ser complexa, nem sempre se consegue ter um determinado número de “tópicos” com força e igualmente proporcionais.
Eu defini desde o começo que eu teria 7 setores, alguns setores já estão certos no meu enredo. Já outros setores podem tanto rolar como serem cortados ou incluídos dentro de algum outro que tenha espaço sobrando e coerente.
A minha maior dúvida é entre os meus setores 1, 6 e 7. Existe a possibilidade de eu unir a ideia que eu tenho nos meus setores 1 e 6, já que são dois pontos que se encaixam na abertura/síntese do enredo que vou querer apresentar de começo.
A ideia do meu setor 6 poderá se encaixar nessas duas posições sem um grande comprometimento cronológico, conforme a posição eu vou mudar o contexto que será inserido. Eu imagino um contexto de consagração, por isso fica para quase o final, já o outro sendo setor de abertura, eu trago a consagração para instigar, abrir largando na abertura: - Como que ela chegou até aqui? Quem seria essa mulher consagrada? E aí depois disso eu começaria a contar a história dela... Seria um tipo de estratégia de mostrar um momento quase que de final, chamar atenção e daí começar a história lá do começo.
Já o meu sétimo setor eu tanto posso ir para algo que represente uma ideia de futuro infinito, como apresentar uma ideia de fechamento pensando em arrematar. Até o momento eu estou com a segunda ideia, mas vez ou outra eu fico pensando em apresentar a primeira ideia. Talvez eu traga um setor bônus para ser revelado depois dos desfiles... (Um tipo de final alternativo) Hhehehe!
E veja só, escrevendo isso pintou essa ideia, já pensou um enredo com final alternativo? Modernidade! Tem muitos filmes, séries, livros que apresentam um final alternativo... Quem sabe eu não tento fazer isso? Vou pensar...
Optei por não revelar ainda os meus setores, algumas pistas eu já dei.
Quais seriam os setores mais importantes no enredo?
Conforme a cidade e número de alegorias isso pode mudar, mas os setores mais importantes em geral são:
- O primeiro setor - É a abertura, é bom começar bem, pegar quem está assistindo já de largada. A primeira impressão é muito importante. (SETOR MAIS IMPORTANTE)
- Setor do meio - Onde fica a bateria, geralmente é um setor bastante valorizado. Também é  o ponto em que as escolas estão inteiras da na pista, pode ser o momento para arrebatar de vez e ser campeão. (TERCEIRO MAIS IMPORTANTE)
- Último setor - É o "grand finale", não dá para se descuidar, é a hora de "lacrar". É importante terminar bem, o jurado está fechando a nota, o público ali se perguntando vai ganhar ou não vai? (SEGUNDO MAIS IMPORTANTE)
E qual seria o menos importante? Geralmente seria o penúltimo, é normal as escolas investirem mais em uma ordem dos setores e nos estratégicos último e setor do meio, já o penúltimo seria aquele que fica por último. Geralmente também é mais fácil errar a mão nele, vc já teve outros setores para vender uma ótima impressão, dá uma caidinha nele e depois limpa a barra com o último setor. Isso também valeria para enredistas, pode crer se deixar um furo no penultimo setor as chances são menores de ser despontuado, do que se errar no primeiro ou no último. Fica a dica! 

Os bastidores da criação - Parte 7 - E a cronologia?

Voltando a falar em cronologia, não é um assunto muito fácil. E nem todo o enredo tem que ser passado em uma linha do tempo exata e perfeita, tudo depende do tipo de divisão que foi estabelecida. Será a divisão estabelecida que deverá dizer se a questão cronológica do enredo deverá ser levada muito em conta ou pouco em conta. O principal também é respeitar e contar algo com sentido, eu posso ir para frente e para trás e contar um história, claro que não posso exagerar nessas passagens... Eu não posso ser confuso e nem caótico. E até se a minha proposta for propositalmente caótica eu terei que guiar o leitor de alguma maneira para esse caos ter algum significado...

Mas onde eu quero chegar, é que é bom lembrar que muitas divisões não são cronológicas, por tanto, não deve respeitar uma linha perfeita de tempo. Se você fala de um cantor e divide o tema em tipos de canções e fala em cada setor de temas dessas canções, por exemplo, canções românticas, canções ecológicas, não vai ter que seguir uma linha perfeita de tempo, seu enredo não é cronológico. Por isso, não será um pecado apresentar uma ala de uma canção ecológica que foi composta em 1992 antes de uma canção romântica que foi composta em 1996 que está em outro setor. O que eu recomendaria neste caso é respeitar a cronologia dentro do setor, ou seja, não botar no mesmo setor um ala de 1984 depois de uma de 1994.
É importante no geral o jurado entender porque cada ala estar ali, ter um sentido daquilo estar “ali e não lá”. E a história ter uma sequência lógica e em lógica não existe apenas a sequencia 1, 2, 3, 4, 5, 6... Ela pode ser variável... Vai do padrão que o autor do enredo estabeleceu, ou seja, da proposta que ele fez de contar essa história. Se o enredo não é histórico ele não obedece um padrão simples de cronologia e PONTO!
Cronologia dos setores
No momento de analisar a cronologia de um setor, em alguns casos, talvez seja mais coerente prestar atenção nos setores. No caso citado antes, vamos imaginar que o determinado cantor começou a fazer sucesso com canções românticas, exatamente por isso o setor das canções românticas veio na frente. Já o setor das canções ecológicas vem atrás, por ser uma temática mais atual, ele no caso começou a fazer sucesso só nos anos 90 com canções ecológicas, por tanto é fácil justificar as canções românticas antes das canções ecológicas. Enquanto a primeira canção romântica desse cantor é de 1965, a ecológica é de 1994, mesmo que ele tenha um sucesso romântico em 2010, não vejo grandes problemas de contar essa história. E a ala de 2010 aparecer antes da ala de 1994, a questão é que a ala de 2010 é a última ala do setor 2, o das canções românticas e a ala de 1994 é a primeira ala do setor 4, o setor das canções ecológicas. Simples!
E tem brechas nisso, as vezes os carros podem trazer as canções mais importantes por ter maior impacto, assim podemos na história que está sendo contada ver um música de 70 depois de uma música de 1996. E de se entender se o autor do enredo optou em dar o carro para o maior sucesso do cantor. Assim como alterar a ordem dos setores organizando por importância, é normal os setores mais importantes serem o PRIMEIRO, ÚLTIMO e o setor da metade do desfile (que pega bateria e ponto que a escola supostamente está inteira na avenida). 
Também é notável que nestes casos pode ser bom não ficar exageradamente citando datas se você não apresenta um tema cronológico. Não se deve ficar chamando atenção demais para algo que não é importante no seu enredo. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Os bastidores da criação - Parte 5 – O que começar primeiro?

É difícil escolher o que começar primeiro. Sinopse? Roteiro? Introdução?
Para quem já acompanha conversas no grupo isso não é novidade, digo já de começo que Introdução e título final do enredo deverão ser as últimas coisas, eu posso até ter um título prévio, uma introdução prévia. Mas quando terminar o enredo é que devo finalizar. É bem comum os autores começarem por título e introdução, mas vão fazendo o enredo e vão mudando, vão sem perceber fugindo daquela ideia principal. Aí o enredo começa com uma proposta e termina com outra. Por isso, seja qual for o seu enredo, depois de terminado olhe se o seu título está coerente e se a sua introdução de fato cumpriu o que foi anunciado. 
Agora falando do meu enredo:
A minha proposta de enredo inicial é falar da vida dela e sob pano de fundo tratar de todas as temáticas que ela envolve. Desde a menina deficiente, passando pela  ocultista, a cartomante, a celebridade, até chegar na sua morte.
Com base nisso, a primeira coisa que devo fazer é um esboço de texto para me guiar. Vou escrever nesse texto todas passagens da vida da homenageada. Será a história base que eu vou contar.
Depois vou tentar ver como que posicionarei os meus setores, os capítulos e os tópicos que vou abordar desse enredo.
Fazer primeiro a sinopse ou Alegorias e Alas?
Eu penso em fazer uma boa parte da sinopse, depois ir para o roteiro, voltar para a sinopse, e voltar para o roteiro. No final ir fazendo uma coisa aqui e outra ali, mexendo e deixando os dois mais ou menos iguais.
Conforme o que eu ir inventando vou ter que encontrar um correspondente do outro lado.
E não posso esquecer!!!! Ambos precisam estar em ordem! Não dá para aceitar que na minha sinopse o setor 3 vem antes do setor 2. Isso deixa o leitor perdido, pode acarretar problema de cronologia. Uma sinopse também gera um samba de enredo, se eu inverter o samba da minha escola também estará invertido. 
Por isso é mais um motivo para impendente do texto que eu faço primeiro, reparos serão necessários para reduzir a chance de eu me contradizer, ou em vez de contar uma história igual eu acabe contando duas histórias diferentes ou contraditórias. 
Divirtam-se com uma piada janeiro de 1912. É esse texto é velharia pura, tem mais de 100 anos!





Os bastidores da criação: parte 4 “quase começando”.

Parte 4 – Quase começando
Eu escrevi esse texto faz muito tempo, mas esqueci de publicar. No momento que eu publico isso, eu já comecei o enredo faz muito tempo. Mas decidi, neste capitulo falar do momento que estava prestes a começar a botar a mão na massa. 
Como disse na parte anterior:
Esse meu enredo será muito psicológico, emocional, lidar com pontos de filosofia, lições de vida, destino, acaso, profecias, tragédias... Se acerto a mão é um show, mas se erro a mão...
Madame Zizina era uma cartomante que era deficiente física. Ela era corcunda, de estranho aspecto, mas que devido a pura superstição, começou a ser tratada como um espírito de luz, sua corcunda como ponto de poderes mágicos, podendo realizar pedidos...  E o fato dela se transformar em vidente e cartomante irá me colocar no mundo do ocultismo, irei tratar de passado, presente, futuro... Misturando tudo isso abordarei mesmo que superficialmente coisas como destino, missão na terra, karma... Ainda mais que tem carnaval, ela desfilava, foi tema de Grandes Sociedades, entre outros pontos que não vou me estender muito... Vai ser uma salada! Essa salada tem potencial para ser gostosa, mas se eu não for criativo, não conseguir utilizar dos meus cartuchos nos melhores momentos, vai dar problema. Eu precisarei fazer todo um encadeamento das ideias, organizar nos “capítulos”, os pontos de abordagens desses sub-temas e significados..
Isso não é algo fácil, construir um enredo que deverá ser fiel a vida da homenageada, achar pontos interessantes, ligar esses pontos, manter uma linha cronológica e sem esquecer que preciso adaptar tudo isso para o carnaval. Não estou escrevendo uma biografia, nem uma redação, vou fazer um enredo de escola de samba, pensar no potencial visual e artístico do que estou trazendo. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Os bastidores da criação 3 – Está mais demorado do que eu pensava

Este texto escrevi faz muito tempo e ocupado com o Concurso esqueci de publicar, mas vai aí a terceira parte dos Bastidores da Criação! Em preto o que eu tinha escrito antes do SÉTIMO CONCURSO e em vermelho o que eu acrescentei hoje no dia 18/09/2015!
Estou expondo momento da criação, estou ocupado até com outras coisas do próprio concurso que não imaginava que me dariam tanto trabalho.
Além de que tenho uma vida para tocar, várias coisas fazendo ao mesmo tempo sempre da nisso...
Mas estou aqui, quase achando que o enredo não vai rolar a tempo. Mas como ainda tenho tempo o enredo pode rolar. A minha proposta vai ser vou tentar fazer o enredo e entregar ele de uma boa maneira, se achar que não vai sair vou atrasar e expor ele no próximo concurso. E no final não deu tempo, acabou que estou pensando em colocar o enredo somente no NONO CONCURSO. 
Noto que muitos participantes tem um defeito, eles perdem a data do prazo de entrega e param de fazer o enredo, voltam a tocar no enredo novamente nas vésperas do próximo concurso. Sei de pelo menos dois casos com dois ótimos enredos que só ficam na promessa, eram enredos para o QUINTO CONCURSO, daqui vai chegar o DÉCIMO concurso e eles ainda não terminaram... Então a dica que posso dar é não parar, fazer e quando terminar entregar, se cair no sexto, sétimo, oitavo, que seja... Eu parei muito tempo em tocar o enredo, mas também quero um desconto, tenho hoje desfile do sábado dos campeões, terminando o regulamento do NONO CONCURSO e tenho ainda as artes e premiação do Concurso para fazer. Então fica difícil ainda eu arrumar tempo para fazer o meu enredo... Sem falar que eu ainda tenho a minha vida real para lidar...
Voltando a falar do meu enredo, o que mais me preocupa é que vou ter que usar muito a minha criatividade, embora eu tenha pesquisado muito, a criatividade é que vai definir se o meu enredo será um bom enredo ou um enredo mediano.
Se eu não estiver inspirado, sei que vai sair uma porcaria. Mas sei do potencial que esse enredo tem, mas eu preciso de tempo para criar e não estou conseguindo...
Eu tenho uma invenção que não vou comentar aqui ainda, que vou guardar só para divulgar no desfile, mas que vai me custar muito tempo se eu desejar fazer. Aí que está o meu grande problema. Eu já venho cogitando aborta-la, ou adaptá-la, pois por causa dela o enredo pode demorar muito para sair.
Eu devo tomar essa decisão em breve. Também fica a dica, às vezes inventamos umas coisas ambiciosas demais que esbarram na possibilidade de serem concluídas...

 
 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Os bastidores da Criação 2 – A pesquisa

Nessa série bastidores da criação eu vou abertamente expondo todos os meus passos, mostrando com eu estou fazendo um enredo. A intenção é apenas partilhar o pouco que eu sei com os demais, além de levantar questões raramente abordadas. Como começar, pesquisa? O que fazer primeiro? O que deixar para depois? Etc... 
Essa foi a centésima nota de jornal que tenho nos meus arquivos. Ainda não sei o que vou fazer, mas guardei. 
Talvez alguém olhasse o meu texto anterior e pensasse, está tudo pronto e vamos criar o enredo, apenas com base no que eu tenho na cabeça sobre ele. Mas não, por isso nesse capítulo vou falar sobre a IMPORTÂNCIA DA PESQUISA
É claro que alguém pode pegar  e sair criando o seu enredo pelo que tem na cabeça, sei de gente faz, mas não acho recomendado tirando casos que são enredos puramente "inventados". Quanto aos demais, se o enredo é sobre uma pessoa, sobre uma cidade,  podemos ter um certo conhecimento sobre um tema, mas não custa pegar e buscar saber mais sobre ele, fazer mais leituras, procurando arrecadar o máximo de informações.

Até procurar comprovar histórias, muitas vezes mitos são gerados, e uma boa pesquisa pode desconstruir e evitar que nós acabemos falando besteira de "senso comum".
Quando procuramos falar com seriedade sobre um assunto, seja qual for, é bom pesquisar mais sobre ele. Não dá para achar que enredo é uma redação de escola, em que a pessoa vai contando ali o que fez nas férias. Salvos casos de que o enredo é puramente uma criação, e mesmo assim, até uma criação pode utilizar uma pesquisa buscando significados, enigmas para se inspirar e enriquecer o seu trabalho.
Pior coisa que pode ter é aquela sinopse que até tem informações erradas, ou afirmações sem base nenhuma que comprovam aquela veracidade. Lembro de um enredo que falava de Exú, mas o cara não pesquisou sobre Exú, falou que Exú era do mal, diabo e etc... Perdeu muita nota dos jurados, não pesquisou, falou coisa errada e perdeu nota.
Eu como quero escrever com responsabilidade o meu enredo, vou pesquisar e nessa etapa, vou procurar arrecadar bastante coisa sobre Madame Zizina.
Essa tira está com problema, mas salvei a data do jornal, então facilmente vou acessar novamente. 
A PESQUISA NÃO TERMINA AGORA
Ainda destaco que a minha pesquisa não será concluída nessa etapa, eu posso perfeitamente voltar a fazer pesquisa, conforme ideias e dúvidas surjam. Mas de qualquer maneira, vou agora ir atrás de reunir um bom número de coisas sobre ela, para ler e avançar no meu enredo.
Também é bom destacar que a minha pesquisa não será somente sobre ela, conforme for surgindo elementos relacionados, vou acabar fazendo outras pesquisas, cartas do tarot, Rio Antigo, década de 1910, muita coisa que eu vou encontrar relacionado como o meu tema me levaram também dar uma lida e buscar um embasamento se eu quiser utilizar esses elementos.
Onde pesquisar?
Eu, devido as minhas condições, disposição, vou ficar na pesquisa gratuita, internet mesmo. Mas se eu pudesse até poderia procurar adquirir um livro que sei que existe sobre ela. Também adoraria ter acesso ao seu almanaque publicado em 1914 que vi que pode estar em um sebo por aí, mas infelizmente ele custa centenas de reais. Se eu fosse um carnavalesco profissional certamente eu compraria esse livro pq valeria a pena. Mas como a minha pesquisa é de orçamento zero, eu vou de internet mesmo.
Wikipedia?
No meu caso não tem vertebre Madame Zizina no Wikipedia e em site nenhum! Mas pode ser uma referÊncia. Mas recomendo muito cuidado com ela. Se puder buscar em outros lugares faça!
Número de fontes de referência
É importante buscar o máximo que puder e seu tempo permitir. Eu sou um cara que não consigo pesquisar e tirar um texto que vou falar somente de uma única fonte. Eu gosto e acredito que um trabalho vai sair bem melhor se eu for em vários lugares. Nessa etapa eu vou exatamente buscar reunir tudo que eu puder sobre a Madame Zizina. Quanto mais melhor, podendo depois eu aproveitar tudo ou não, as tiras que coloquei nessa postagem são um exemplo, posso usar, como não usar... Depois eu vejo se aproveito, mas elas estão na minha mão, facilmente vou acessar quando desejar. 
Organizando a minha pesquisa
Em quanto eu vou fazendo garimpagem é bom eu já começar a ficar organizando, criei uma pasta, estou denominado o que eu acho sobre ela e vou separando por tipo de conteúdo. Pior coisa que tem é achar um monte de coisa e depois não saber de onde achei..
"Li um texto em tal lugar que era ótimo, peguei, guardei e agora não sei onde está". Para evitar isso a dica é ir se organizando.
Sub-temas
Conforme eu vou fazendo o meu enredo, também irão surgir outros tópico que poderei acabar pesquisando. Como Bela Época (o tempo em que viveu a cartomante), baralhos (como não falar deles em um enredo de uma cartomante?), até sobre lâmpadas da década 10 (ela decorava a sua casa e sai no carnaval toda colorida) já pensei em dar uma pesquisada...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Os bastidores da criação – capitulo 1 – A inspiração e o tema

Nesta parte, vou falar sobre o tema do meu enredo e como veio a inspiração para esse enredo que será construído.
Eu descobri essa personagem curiosa, por acaso, lendo um jornal antigo, fiquei intrigado com o destaque que ela recebia, era uma reportagens de duas páginas falando sobre cartomantes e ela era a “principal” com mais destaque, a dona do pedaço. Só o fato de ter uma reportagem de um jornal falando de cartomantes já era um fato estranho para os tempos atuais. 
Aproveitando acabei lendo mais sobre ela e sua história começou a me interessar. Agora eu vou falar um pouco da história dela, com base nas minhas memórias de leituras que fiz:
Madame Zizina é o tema do meu enredo. 
Ela, quando criança e adolescente, foi uma mulher rejeitada pelo mundo, uma deficiente física do século XIX, que nas cartas e feitiços encontra o seu caminho e aceitação na sociedade. Do limão que a vida lhe deu, ela fez uma limonada, do seu aspecto bizarro de mulher feia, fisionomia pálida, corcunda, transforma esse seu aspecto em centro de poder mediúnico. E ela foi mais além até do que um dia imaginou, virou celebridade, figura estampada nas revistas e jornais da época de Rio Antigo e de todo o Brasil também.
Ela talvez tenha sido a maior vidente do Brasil, sua única rival de peso é a Mãe Dináh. Essa todos os contemporâneos que lerem esse texto devem saber quem se trata, mas é porque ela é do nosso tempo, Zizina é da década de 1910, do tempo do Jornal, nem rádio existia, as pessoas que viveram no seu tempo já morreram.  Porém, se fizermos uma comparação das biografias, guardadas as diferenças de épocas, Madame Zizina foi muito maior, sem a mínima comparação. A Mãe Dináh nunca teve romaria para visitá-la, não teve Presidente, Senador, Deputado, Prefeitos, pessoas de todos os cantos e classes sociais, incluindo a mais alta elite, das dondocas aos fazendeiros atrás dela. A Madame Zizina teve! Ela fez fama e era influente, dava até pitacos na politica do país nos jornais, era destaque, todo mundo queria saber o que ela dizia, vinha gente de toda a parte do país. E com tanta gente importante tomando decisões com base nos seus conselhos, ela influenciava até nos rumos do Brasil. Por isso, com toda a certeza posso afirmar com confiança que ela tem gabarito suficiente para lhe fazer jus ao título de maior vidente da história país.
E não era só vidente, ela foi muito mais que isso, pois não existia unicamente o grupo dos que seguiam ela como uma profeta ou guia espiritual. Além do povo que fazia romaria para se consultar, tinha o pessoal que lhe considerava uma personagem de entretenimento, ela tinha fãs, e era uma espécie de mistura de Elvira (a Rainha das Trevas) com o profeta Nostradamus, de um lado ela entretinha muitos como uma personagem humorística de Terror, de outro, era uma profetisa apocalíptica de grandes desastres. Ainda seu "consultório" era uma espécie de casa das trevas, decorada ao estilo, cercada de lendas, que diziam que acontecimentos extraordinários aconteciam depois da meia-noite.
E para completar, foi tema do carnaval de 1914, das Grandes Sociedades. Morre um ano depois, em 1915, famosa e muito rica!
Esse é parte do meu ponto de partida do meu enredo, revelando muitos pontos potenciais que eu acredito que podem ser explorados (citando aqui temáticas que posso usar no enredo, mensagens, elementos ilustrativos):
- A dura realidade de uma Deficiente física
- Uma Mulher que não é bonita, foco de preconceitos.
- Vira o jogo, dá uma lição de superação
- Passado, presente, futuro, tempo! Curiosidade das pessoas de saber o seu destino.
- Mundo das Cartomantes, mundo esotérico, mistérios, acontecimentos extraordinários, profecias
- Rio Antigo, cenários antigos, uma cidade totalmente diferente dessa atual
- Celebridade Popular (capas de jornais, fofocas, piadas e tudo mais que podem imaginar, ninguém ficava indiferente em relação a ela)
- E já foi até tema de um carnaval, de um outro tipo de carnaval
- E 100 anos depois tem seu Centenário! 
Pensei, puxa! Daria um enredo de escola de samba. E aqui estou planejando em fazer um enredo sobre ela. Cem anos depois, Madame Zizina é musa da sapucaí! 
Acho que ela tem potencial inclusive para se sustentar como tema central, poderia ser um tema fraco que eu tivesse que apelar para uma porção de coisas, quem sabe falar da história das videntes do mundo e chegar no último carro "Madame Zizina"? Não é o caso, vejo um tema forte para falar de toda a vida dela, vir lá dos tempos de criança até a sua morte, recheios eu tenho, para colocar em todas as passagens da sua vida, da criança deficiente até a consagração como celebridade da sua época, com mais pesquisa enriquecerei ainda mais o enredo, indo atrás e selecionando coisas interessantes para falar. A missão é juntar tudo isso, contar uma história interessante com começo, meio e fim, a vida dela tem fundo para um tema e a questão é conseguir desenvolver e contar essa história.
Mas ainda antes de sair escrevendo como um louco, estando ciente do potencial, o segundo passo é ir pesquisar mais. Saber mais coisas ainda sobre ela, guardar textos, ver até se descubro mais pontos para serem explorados, arrumar fontes de referência, o máximo possível, só depois começar a escrever um texto que será a minha sinopse.
Então aguardem!
Continua... Vem aí a segunda parte, a pesquisa do tema.  

Os bastidores da criação – O começo

Depois de muito pensar, vou sim fazer um enredo para brincar, já fiz antes, mas desta vez vou pegar esse enredo e mostrar todo processo da criação. Assim, eu vou de vez enquanto publicar trechos do andamento do trabalho. Tentando demostrar todo o processo, desde o começo até o final.



Acredito que quem acompanhar todo o processo da experiência, encontrará ao longo do processo, muitas dicas para criar também o seu enredo, oportunidades para refletir, pequenas coisas e detalhes que poderão ser úteis para muita gente. Vou procurar partilhar com todos “o pouco” que eu sei em um processo de construção de um enredo.

Já aviso que não sei se saíra no final um bom enredo, vou fazer de tudo para ter um bom enredo, mas vai da inspiração e posso chegar no final dessa caminhada e não conseguir chegar no nível que talvez eu acreditasse que conseguiria. Isso também faz parte, além de que o que gostamos nem sempre vai encontrar simpatizantes do outro lado. Em arte isso faz parte. Podemos ter ideias sensacionais, como ideias que pensávamos que seriam sensacionais, mas não são. Bom, isso depois veremos... 

Mas eu vou embarcar nesse trabalho, aos poucos vou ir criando e mostrando como ficará esse  "guia de criação de um enredo", além desse "enredo" que será criado no guia.

Vamos ver no que vai dar?
A primeira parte posto daqui a pouco.

ATENÇÃO:
- Deixem perguntas
- Sugestões

Vamos ver se conseguimos  construir um guia que seja o mais útil possível para ajudar quem precisar 


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